A diplomacia do Qatar e a mediação silenciosa da Cruz Vermelha mantêm aberta a única via de contacto entre as partes, num conflito cada vez mais imprevisível.
Enquanto as atenções se concentram nas trocas de corpos e na reabertura da fronteira de Rafah, dois atores silenciosos continuam a sustentar os frágeis canais de comunicação entre Israel e o Hamas: o Qatar e o Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV).
O Qatar, que mantém em Doha a principal representação política do Hamas fora da Palestina, tem atuado como mediador desde o início da guerra, tentando equilibrar a pressão norte-americana e as exigências israelitas. Fontes diplomáticas referem que o emir Tamim bin Hamad al-Thani mantém contacto direto com Washington e Telavive, “num esforço para evitar o colapso total das negociações”.
Já a Cruz Vermelha tem desempenhado o papel mais discreto — e mais arriscado. Foi através da sua delegação em Jerusalém que se realizaram as transferências dos corpos dos reféns, garantindo a neutralidade e o respeito pelas Convenções de Genebra. “O nosso trabalho não é político. É humanitário”, reafirmou a porta-voz do CICV, Hanan El-Farra, sublinhando que “qualquer interrupção de diálogo põe em risco vidas”.
A coordenação entre o Qatar e a Cruz Vermelha permitiu, até agora, manter viva a possibilidade de novos acordos, mesmo após o fracasso das últimas trocas. Contudo, diplomatas alertam que a paciência das partes se esgota rapidamente. “Nenhum cessar-fogo é possível sem confiança — e neste momento há muito pouca”, disse um representante europeu em Doha.
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🖋️ Publicado em Lisboa, Portugal.


