Trump pondera ataque ao Irão e lança ameaça tarifária

Economia

Alberto Carvalho
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Alberto Carvalho é cronista e editor convidado do Arcana News. Escreve sobre política, cultura e vida pública, com uma atenção permanente ao impacto social das decisões coletivas. Os seus textos combinam rigor crítico, clareza jornalística e uma voz literária própria, orientada por valores humanistas e democráticos.

O Presidente Donald Trump está a explorar vias diplomáticas com o Irão, ao mesmo tempo que avalia a possibilidade de ordenar um ataque militar para dissuadir as autoridades iranianas de continuarem a repressão letal contra manifestantes, segundo responsáveis norte-americanos nas declarações que estão a produzir com as deliberações internas.

Trump avalia ataque e sanções enquanto testa sinais de diálogo.

Nesta segunda-feira, a porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, confirmou que os ataques aéreos são “uma das muitas opções” em análise, sublinhando, porém, que a diplomacia continua a ser a primeira escolha do Presidente. Acrescentou que as mensagens recebidas por canais privados diferem do tom público adotado por Teerão, indicando abertura para contatos exploratórios.

As declarações surgem após Donald Trump afirmar, no domingo à noite, que o Irão poderá ter ultrapassado uma “linha vermelha” definida no início do mês, quando prometeu agir caso o regime recorresse a força letal contra protestos. O Presidente disse estar a acompanhar de perto relatos de mortes e confirmou que o Pentágono avalia vários cenários de resposta.

Horas depois, Trump intensificou a pressão económica. Numa publicação nas redes sociais, anunciou a intenção de impor uma tarifa de 25% a “qualquer e todo o negócio” com os Estados Unidos por países que mantenham comércio com o Irão. Não foram divulgados detalhes operacionais nem o calendário de aplicação da medida. A proposta poderia afetar economias como a Índia, a Turquia e vários países do Médio Oriente, além da China, maior compradora de petróleo iraniano. Washington tem procurado, contudo, manter estabilidade nas relações com Pequim antes de uma cimeira prevista para abril entre Trump e Xi Jinping.

Em Teerão, o tom público moderou-se. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, declarou numa conferência transmitida pela televisão estatal que o país não procura a guerra, mas está preparado para ela, acrescentando que o governo está disposto a negociações “justas, com direitos iguais e respeito mútuo”. As autoridades iranianas confirmaram ainda que os canais de comunicação permanecem abertos entre Araghchi e Steve Witkoff, enviado de Trump que liderou contatos bilaterais no ano passado.

Não ficou claro quais os temas concretos que Teerão estaria disposto a discutir.

Na primavera passada, os dois países mantiveram conversações sobre o programa nuclear iraniano, que o regime descreve como civil, mas que Estados Unidos e Israel receiam poder ser desviado para fins militares.

Um acordo anterior, negociado durante a administração Obama, foi abandonado por Trump no seu primeiro mandato, levando o Irão a intensificar o enriquecimento de urânio.

As conversações cessaram após ataques norte-americanos, em junho, a instalações nucleares iranianas, realizados no contexto da guerra de 12 dias entre Israel e o Irão. Desde então, Teerão fez sinais pontuais de reaproximação, sem resposta formal de Washington.

A nova iniciativa diplomática surge num momento de forte instabilidade interna no Irão.

O líder supremo Ali Khamenei enfrenta protestos em várias cidades, iniciados no final de dezembro por motivos económicos e rapidamente alargados a exigências políticas mais profundas. Forças de segurança recorreram a gás lacrimogéneo e munições reais; vídeos analisados por organizações independentes mostram disparos contra multidões. Grupos de direitos humanos estimam dezenas de mortos e muitos feridos.

Analistas ouvidos por institutos internacionais consideram que Teerão tenta ganhar tempo para evitar uma intervenção militar direta dos Estados Unidos, mas reconhecem que o regime dispõe hoje de menos margem de negociação, após danos significativos no seu programa nuclear e na rede de aliados regionais. Washington, por seu lado, avalia alvos que incluiriam estruturas de segurança interna consideradas responsáveis pela repressão, como a milícia Basij, segundo responsáveis norte-americanos.

O Presidente foi recentemente informado pelo Pentágono sobre as opções militares adicionais. A Casa Branca não esclareceu quais seriam as bases legais, ao abrigo do direito norte-americano ou internacional, para uma nova ação armada. Numa comunicação anterior ao Congresso, Trump justificou ataques de junho como defesa de um interesse nacional vital e de um aliado, Israel.

Para já, a administração mantém uma estratégia dupla: testar sinais privados de abertura diplomática, enquanto reforça a ameaça de força e de sanções. O próximo passo dependerá da evolução no terreno no Irão e da resposta de Teerão aos contactos discretos iniciados nos últimos dias.


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