Freira detida em Espanha por alegado contrabando de peças de arte do convento

Economia

Aurelian Draven
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Aurelian Draven é correspondente especial do Arcana News, dedicado ao estudo de conflitos, memória e territórios esquecidos. É focado em segurança internacional, zonas de conflito e dinâmicas do Médio Oriente.

NOTÍCIA · Espanha / Justiça / Religião

A Guardia Civil deteve esta quinta-feira uma religiosa espanhola envolvida num dos episódios mais polémicos da vida interna da Igreja nos últimos anos. A mulher, anteriormente conhecida como Irmã Isabel e identificada no registo civil como Laura García de Viedma, é suspeita de ter participado na tentativa de vender peças artísticas pertencentes ao convento onde vivia, no norte de Espanha.

A investigação levou as autoridades ao mosteiro de La Bretonera, na província de Burgos, onde um grupo de freiras permanece em ruptura com a hierarquia católica desde 2024. De acordo com fontes policiais, as buscas resultaram também na detenção de um antiquário que alegadamente colaborava na venda de bens classificados como património histórico e que, independentemente do conflito interno, pertencem juridicamente à Igreja Católica.

A detenção ocorre num contexto de acentuada fractura entre a antiga abadessa e a Santa Sé. O grupo rebelde, composto por cerca de uma dezena de religiosas, rompeu com Roma há mais de um ano após declarar fidelidade a um homem que se apresenta como bispo tradicionalista, mas que foi excomungado. Desde então, as freiras tentaram autonomizar vários conventos e registá-los como entidades independentes, sem ligação à instituição eclesiástica.

Além do caso agora em investigação, a ex-abadessa enfrenta vários processos judiciais: um por fraude relacionada com a alegada venda de ouro pertencente à comunidade religiosa, outro ligado à tentativa de alienação de um segundo mosteiro, e um terceiro motivado pela tentativa de registar imóveis e estruturas monásticas sem autorização da Igreja.

As tensões começaram em 2024, quando as religiosas manifestaram rejeição das orientações do Concílio Vaticano II e denunciaram publicamente a autoridade do arcebispado local.

A Santa Sé viria a decretar a excomunhão das irmãs envolvidas, mas o grupo permaneceu no convento de Belorado, recusando acatar as orientações superiores. Uma sentença posterior determinou que as religiosas deveriam abandonar o espaço, mas o processo encontra-se ainda em fase de recurso.

O caso tem despertado amplo interesse público em Espanha, tanto pela complexidade jurídica como pela dimensão eclesiástica de um conflito que expôs fragilidades internas, rivalidades de poder e tentativas de instrumentalização de bens patrimoniais.

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