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Política Internacional
Artigos e análises de política internacional, com explicações claras sobre diplomacia, alianças, conflitos e decisões estratégicas com impacto global.
Europa e IA: soberania ou dependência estratégica?
A Europa discute ética e risco, mas evita a pergunta operacional: quem controla a infraestrutura de IA quando ela se torna crítica. A dependência é invisível — até ao dia em que deixa de ser.
Venezuela e a ilusão da decapitação
A extração de Maduro muda o rosto, não o Estado. Em colapsos prolongados, remover o topo não produz transição: abre concorrência por força e rendimentos. Com a economia esmagada, a indústria petrolífera degradada e redes armadas a lucrar com a fragmentação, o cenário mais provável é colapso estabilizado — e a região paga o custo.
Sucessão em Pyongyang: a filha como seguro do regime
A hipótese de Kim Jong Un preparar a filha para o suceder não é “modernização”, nem folclore familiar: é uma técnica de controlo num Estado dinástico. Tornar a sucessão previsível disciplina a elite, reduz as conspirações e amarra a legitimidade à liturgia do poder. Uma sucessora mulher pode ser, precisamente, a solução mais funcional para estabilizar a coligação interna e endurecer a continuidade estratégica.
O biscate que se transforma em sabotagem
Um saco num cacifo, uma mensagem numa app obscura, uma fotografia para “confirmar o serviço”. A sabotagem contemporânea não começa com ideologia: começa com um biscate. O padrão descrito por investigações europeias aponta para tarefas pequenas — vandalismo, vigilância, pacotes, incêndios — executadas por gente vulnerável, sem visão do plano. O efeito não é só o dano material: é o cansaço do Estado e o nervosismo de uma sociedade a viver acima do limiar do conforto.
Ser levado a passear: o controlo invisível na China
Durante grandes eventos políticos e diplomáticos, o Estado chinês evita prisões públicas e confrontos diretos. Em vez disso, afasta fisicamente os críticos e ativistas através de deslocações temporárias, totalmente supervisionadas. Conhecida como bei lüyou (“ser levado a passear”), esta prática ilustra um modelo de controlo que privilegia a previsibilidade, a gestão do risco e a neutralização silenciosa da dissidência, tanto no espaço físico como no digital.
Farkas exposto nos ficheiros Epstein após 2.000 e-mails
A divulgação de um novo lote de documentos do caso Epstein expõe uma ligação prolongada entre o investidor imobiliário Andrew Farkas e Jeffrey Epstein, incluindo perto de 2.000 e-mails, contactos para acesso e referências a negócios nas Ilhas Virgens. Farkas diz “lamentar profundamente” a associação, sem negar a relação. Não foi acusado de crime. Em paralelo, enfrenta um litígio ligado a alegações de suborno num processo sobre uma empresa das marinas.
O manual de Nixon, o tempo de Trump
Watergate é lembrado como vitória institucional. Mas foi, sobretudo, um momento irrepetível. O manual que derrubou Nixon sobreviveu — e regressou num tempo diferente.
China e Europa: duas formas de decidir
Em 2023, Bruxelas respondeu à corrida da IA com legislação; Pequim respondeu com eletricidade, centros de dados e ordens de execução. A partir desse contraste, este texto segue a pista que mais custa admitir: não é uma guerra de valores — é uma disputa de tempo, energia e escala.
Taiwan: a aliança “sólida” que é negociável
A frase “rock solid” é um ato político, não uma garantia. O telefonema Trump–Xi mostra que Taiwan está presa a um contrato informal onde credibilidade vale tanto quanto capacidade. Com um grande pacote de armas ainda por aprovar, e com o parlamento taiwanês a travar aumentos de despesa, a dissuasão torna-se vulnerável ao atraso. O risco não é a ausência de compromisso; é o desconto de credibilidade.
A lama de seis mil metros
Na manhã de 6 de Fevereiro, a bordo do Hakurei-Maru 2, um técnico ligou o sistema que ia sugar a lama de seis mil metros de profundidade. Durante nove dias, a bomba funcionará sem parar. Ninguém sabe ao certo o que vai encontrar. Sabiam o que devia estar lá — ítrio, európio, térbio, disprósio, elementos que a China controla quase na totalidade. Mas estimar não é o mesmo que confirmar. E confirmar não é o mesmo que conseguir trazer à superfície de forma que não custe mais do que vale.


