O mercado de corpos: como a Rússia terceiriza as suas baixas

Quando um exército não consegue recrutar em casa, recruta onde ninguém protesta.

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://www.arcananews.com/
Elian Morvane é autor e cronista do Arcana News, escrevendo atualmente na Revista Arcana News, sem deixar de colaborar também em peças noticiosas e em leituras estratégicas de política, economia e sociedade.

Geopolítica e Poder · África / Rússia / Ucrânia · Defesa


A Rússia tem um problema aritmético. Quatro anos de guerra na Ucrânia consumiram centenas de milhares de soldados — mortos, feridos, incapacitados.

As estimativas ocidentais, que Moscovo não confirma e que devem ser lidas com cautela metodológica, situam as baixas russas acumuladas numa ordem de grandeza que ultrapassa a capacidade de reposição normal de qualquer exército convencional.

A mobilização parcial de Setembro de 2022 — que Putin apresentou como medida temporária e que gerou a maior vaga de emigração russa desde o colapso soviético — expôs o custo político interno de pedir à classe média russa que vá morrer no Donbass.

Não houve segunda mobilização. Não por falta de necessidade militar. Por excesso de risco político.

O mercado de corpos: como a Rússia terceiriza as suas baixas.

A solução encontrada é a que impérios em dificuldade sempre encontraram: ir buscar corpos onde o custo político é zero.


A lógica do recrutamento periférico

O modelo não é novo. A França usou tropas coloniais africanas nas duas guerras mundiais. Os Estados Unidos recrutaram filipinos, samoanos e porto-riquenhos para conflitos onde o eleitorado continental não queria sangrar.

A União Soviética usou contingentes centro-asiáticos no Afeganistão em proporções superiores à sua representação demográfica. O princípio é constante: as baixas que não geram manchetes domésticas são as mais baratas do ponto de vista político.

O que a Rússia faz em 2025 e 2026 é uma variação atualizada desse princípio.

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Não recruta exércitos coloniais — não tem colónias. Recruta indivíduos.

A unidade de operação não é o batalhão: é a pessoa vulnerável. O jovem desempregado em Nairobi. O ex-segurança em Lagos. O trabalhador precário em Joanesburgo. O método é o das redes informais — intermediários que oferecem empregos bem remunerados, trabalho em segurança privada, oportunidades de formação ou de migração.

O destino declarado é a Rússia. O destino real é a linha de frente ucraniana.

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