António Lobato resistiu sete anos e meio numa prisão da Guiné-Conacri. Uma operação secreta libertou-o. Depois, o Estado Novo mandou-o contar uma fuga que nunca aconteceu.
A America First Global Health Strategy introduziu uma nova lógica na ajuda sanitária americana a África: em contrapartida do financiamento americano, os países cedem o acesso direto aos seus sistemas nacionais de dados de saúde. Vários governos assinaram; outros recusaram. Os tribunais de pelo menos dois países já foram chamados a decidir.
Cobalto, ouro e urânio já não circulam apenas como matérias-primas. Nas disputas sobre África, tornaram-se também instrumentos narrativos usados para atacar legitimidades, explorar feridas reais e condicionar alianças. O risco está na história que chega antes da explicação.
O CDSCO emitiu autorizações para 51 empresas — nenhuma para a África Ocidental. Os registos mostram mais de 60 fornecedores a exportar exatamente para aí, entre 2023 e 2025, em 130 milhões de dólares. Um sistema que termina a sua responsabilidade no porto de saída não precisa de ser capturado para ser útil ao tráfico. Precisa apenas de ter espaços de invisibilidade suficientemente amplos.
O tapentadol não estava aprovado em nenhum país de destino. A Gana nunca emitiu uma única autorização de importação. Entre 2023 e 2025, mais de 320 milhões de comprimidos saíram da Índia para a África Ocidental. Cada vez que um opióide é controlado, o ciclo recomeça com um composto mais potente e menos vigiado.
Quando uma lei transforma um comportamento em crime grave mas o Estado não tem capacidade ou vontade de a aplicar, cria-se um mercado. No Uganda, esse mercado é servido por informadores, polícias corruptos e criminosos com conta numa aplicação de encontros. A orientação sexual de outra pessoa passou a ter preço de mercado — calibrado em função da capacidade de pagamento da vítima. Isto não é uma disfunção da lei ugandesa. É o seu produto principal.
A Rússia não tem soldados suficientes para combater na Ucrânia sem ajuda externa. A ajuda que procura não é a de aliados: é a de cidadãos africanos recrutados por engano, transportados com vistos falsos e enviados para a linha de frente sem possibilidade de saída. O modelo é antigo. A escala é nova.
A proposta sudanesa para instalar uma base naval russa no Mar Vermelho pode alterar o equilíbrio estratégico entre Rússia, EUA e China numa das rotas mais críticas do mundo.