O regime talibã mantém o Afeganistão unido através de controlo territorial, disciplina interna e exceções silenciosas. Cinco anos depois, este dossiê explica por que o regime resiste e por que o contágio regional previsto não chegou à Europa.
Cinco anos depois da queda de Cabul, nenhuma das previsões de contágio regional se confirmou. O Afeganistão não se tornou um vazio exportador de caos porque, pela primeira vez em vinte anos, há um poder com força suficiente para fechar as suas próprias fronteiras.
Por detrás das proibições rígidas e do isolamento internacional, o Afeganistão sobrevive graças a exceções silenciosas que ninguém questiona. Mas com o colapso económico e o fecho das fronteiras, a margem para fingir que essas contradições não existem chegou ao fim.
A Rússia não tem soldados suficientes para combater na Ucrânia sem ajuda externa. A ajuda que procura não é a de aliados: é a de cidadãos africanos recrutados por engano, transportados com vistos falsos e enviados para a linha de frente sem possibilidade de saída. O modelo é antigo. A escala é nova.
A Alemanha está a reconstruir, em silêncio, o papel de plataforma logística da NATO em caso de guerra com a Rússia, num regresso assumido à lógica estratégica da Guerra Fria.