Washington procura um dirigente cubano capaz de negociar com os Estados Unidos. A Constituição entrega a substituição temporária a Salvador Valdés Mesa.
A crise cubana combina colapso energético, emigração, controlo institucional e pressão norte-americana sem um modelo credível de transição. Este dossiê organiza as peças, os atores, os documentos e os sinais a acompanhar.
Cuba atravessa a pior crise económica da sua história recente. A pressão americana voltou ao máximo, mas a lógica que deveria produzir a mudança continua sem funcionar. O resultado é um Estado enfraquecido que não cai e uma política externa que não encontra meios para os seus fins.
A captura de Nicolás Maduro foi taticamente brilhante. Nos corredores de Washington, a euforia foi imediata — e com ela a ideia de que o mesmo podia ser feito em Cuba. Cuba tem 67 anos de poder ininterrupto, nenhum recurso de interesse comercial imediato e nenhum interlocutor identificado. A analogia venezuelana não é uma estratégia.
A crise cubana de 2026 não nasce de um único acontecimento. A falta de combustível cruza-se com apagões, sanções, queda de divisas, emigração e fragilidade dos serviços públicos. O resultado é uma pressão simultânea sobre a economia, o Estado e a vida quotidiana.
Não é mudança de regime. É um método. Aplicado em simultâneo no Irão, na Venezuela e em Cuba — com três instrumentos diferentes e a mesma lógica: não se remove o regime, reconstrói-se a sua geometria de incentivos até que se comporte como se fosse outro. E o precedente que isso estabelece para o resto do mundo é mais consequente do que o conflito iraniano.
A Rússia não tem soldados suficientes para combater na Ucrânia sem ajuda externa. A ajuda que procura não é a de aliados: é a de cidadãos africanos recrutados por engano, transportados com vistos falsos e enviados para a linha de frente sem possibilidade de saída. O modelo é antigo. A escala é nova.