Uma empresa portuguesa paga 780 euros por tonelada de aço que um concorrente turco compra por 500 dólares. A produção na Albânia ajuda a explicar essa diferença e expõe os limites das barreiras europeias.
Na China, os robôs já ligam a televisão, fábricas e salas de aula. A Europa concentra-se nos riscos. Em Portugal, construir a tecnologia ainda depende de clubes e professores.
No início do ano, a Merck e a AbbVie negociaram a compra da Revolution Medicines por 30 mil milhões de dólares. O negócio não se fechou, e hoje custaria bem mais caro.
A meta dos 5% da NATO mostra como a Europa promete cumprir a despesa de Defesa até 2035 por reclassificação orçamental. Da ponte de Messina aos planos não financiados de Paris e Londres, a aritmética conta uma história diferente da retórica.
A cimeira de maio entre Trump e Xi Jinping não resolveu a ambiguidade americana sobre a defesa de Taiwan. Enquanto Washington hesita entre posições internas divergentes, Taiwan acelera a aquisição de armamento e a Europa aprofunda, por via comercial, uma cooperação ainda sem política comum que a sustente.
A Europa importa semicondutores de Taiwan direta e indiretamente, incorporados em módulos e peças produzidos noutros países. Uma interrupção revelaria dependências que muitas empresas ainda não conseguem localizar nas próprias cadeias.
Uma guerra por Taiwan atingiria a Europa antes de qualquer decisão militar. Chips, rotas marítimas, sanções e recursos de defesa colocariam fábricas e governos sob pressão.
A Europa aumentou a despesa militar para níveis históricos, mas continua dependente dos Estados Unidos em capacidades decisivas. A mobilidade, o comando, a vigilância e o reabastecimento ainda limitam a autonomia militar europeia.
Sem a Marinha dos Estados Unidos, a defesa do Atlântico Norte dependeria de uma força liderada pelo Reino Unido, pela Noruega e pela França. Os aliados poderiam vigiar as saídas do Ártico e proteger setores prioritários, mas teriam menos meios para sustentar várias operações ao mesmo tempo?
A empresa ucraniana Fire Point já produz os seus próprios intercetores, com a ambição de servir de base a um escudo antimíssil pan-europeu. Estónia, Coreia do Sul e Alemanha seguem, em paralelo, os seus próprios caminhos — nenhum ainda comparável ao Patriot.