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Política Internacional
Artigos e análises de política internacional, com explicações claras sobre diplomacia, alianças, conflitos e decisões estratégicas com impacto global.
Guerra EUA–Irão: força militar máxima, coerência mínima
Os Estados Unidos continuam a intensificar ataques enquanto afirmam estar próximos do fim da guerra, mas não conseguem controlar o seu ponto crítico: o Estreito de Ormuz. O Irão não precisa de vencer militarmente — basta-lhe manter a perturbação suficiente para impedir a normalidade. Essa tensão entre força e desfecho transforma o conflito numa guerra aberta, sem solução clara à vista.
O Irão não é um dossiê técnico
Há uma forma específica de falhar que parece vitória. Ao longo de sete décadas, os Estados Unidos trataram o Irão como um problema técnico a resolver — destruindo capacidades, impondo pressão, celebrando resultados imediatos — sem responder à única pergunta que importa: o que vem a seguir. O resultado foi sempre o mesmo: cada sucesso tático abriu espaço a um problema estratégico maior.
China: coerção, controlo e projeção de poder
A questão central neste dossiê não é apenas o que a China faz em cada frente isolada, mas o mecanismo comum que liga essas frentes. Da água no Himalaia ao ensaio de bloqueio a Taiwan, da mobilização energética para a inteligência artificial ao afastamento silencioso de dissidentes, o padrão é o mesmo: transformar infraestruturas, geografia, tecnologia e administração em instrumentos de poder político. Lidos em conjunto, estes episódios mostram um sistema que não reage apenas a crises: prepara o terreno em que as crises futuras serão disputadas.
A Gronelândia Não É Sobre a Gronelândia
A retórica de Trump sobre a soberania da Gronelândia não é, sobretudo, uma doutrina de defesa: é uma posição maximalista destinada a obter concessões que o tratado de 1951 não garante automaticamente. Em causa estão minerais críticos, presença militar alargada e margem negocial sobre uma ilha cuja trajetória política pode afastá-la de Copenhaga. A questão central não é se Washington conseguirá “obter” a Gronelândia, mas se conseguirá reconfigurar a relação com ela em termos estrategicamente mais favoráveis.
O satélite como instrumento de Estado
A Planet Labs não fez apenas uma escolha operacional: consolidou um precedente. Ao atrasar o acesso público a imagens do Médio Oriente, mostrou como empresas privadas de observação terrestre podem regular, em alinhamento prático com Estados, o arquivo visual da guerra. O problema não é só a segurança operacional. É a possibilidade de o registo verificável dos conflitos passar a depender de atores privados sem supervisão pública proporcional ao poder que exercem.
O Corredor dos Cinquenta e Quatro Quilómetros | Estreito de Hormuz
Entre a Península Arábica e o Irão existe um corredor marítimo de apenas 54 quilómetros. Por ele passa cerca de um quinto do petróleo mundial. Na guerra atual, esse estreito tornou-se o ponto onde um país militarmente mais fraco pode transformar risco global em poder estratégico.
A Guerra da Ucrânia — Estrutura do Conflito, Incentivos Sistémicos e Posições Possíveis da China
No quinto ano de guerra, o conflito ucraniano é sustentado por um conjunto de incentivos estruturais que tornam a resolução improvável no curto prazo. A China ocupa neste sistema uma posição analiticamente ambígua: o seu comportamento observável é consistente tanto com uma estratégia deliberada de neutralidade instrumental como com gestão prudente de risco ou adaptação incremental. A evidência disponível não permite discriminar com segurança entre estas hipóteses.
A Guarda que é o regime: por que bombardear o Irão não muda o Irão
A IRGC controla mísseis, programa nuclear, milícias regionais e até metade da economia iraniana. Washington aposta que a pressão militar quebrará a Guarda ou a virará contra o regime. A história da organização — fundada para sobreviver exatamente a este tipo de pressão — sugere o contrário.
Sete Dias que Mudaram a Guerra
Uma semana após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão, a campanha militar já alterou o equilíbrio do Médio Oriente, mas continua sem produzir uma solução política.
Dois Príncipes, Dois Caminhos
Durante anos, Riade e Abu Dhabi pareciam representar um mesmo projeto regional. Hoje, diferenças estratégicas, ambições económicas e novas dinâmicas de poder transformam essa parceria numa competição silenciosa pelo futuro do Golfo.


