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Política Internacional
Artigos e análises de política internacional, com explicações claras sobre diplomacia, alianças, conflitos e decisões estratégicas com impacto global.
Leão XIV e a Diplomacia Vaticana: o problema da origem
A Santa Sé construiu durante décadas uma posição de interlocutor sem interesse directo nos conflitos onde intervém. Esse modelo assenta na percepção de exterioridade — e essa percepção é mais difícil de manter quando o chefe da Igreja é cidadão do estado que conduz operações militares em três continentes. O que está em jogo não é a lealdade de Leão XIV, mas a geometria da credibilidade vaticana num momento de conflito activo.
Trump, China e Irão na guerra dos estrangulamentos
O poder raramente se perde por falta de grandeza. Perde-se por excesso de confiança nas passagens estreitas.
A escala não dissolve a fragilidade — apenas a distribui por um corpo maior.
O Pentágono prepara a invasão e Islamabade tenta evitá-la
A questão não é se os EUA conseguem invadir. É o que acontece depois.
O Preço do Silêncio
No nordeste do Qatar, a maior planta de gás natural liquefeito do mundo está parada. Não é uma metáfora — é maquinaria fria, navios sem carga, terminais à espera. Quatro semanas depois de Washington e Israel lançarem ataques sobre o Irão, o que o conflito está a revelar não é uma crise energética. É a descoberta de que a arquitectura da globalização foi construída sobre uma premissa que nunca foi escrita em nenhum tratado: que certos chokepoints nunca seriam testados.
A Arte de Telefonar
O Paquistão tem o FMI à porta, um exército que governa por baixo do governo e uma fronteira de novecentos quilómetros com o Irão. Em março de 2025, era também o país que Washington e Teerão usavam como câmara de compensação. Não apesar da fragilidade — por causa dela. Os melhores mediadores são os que têm mais a perder se a crise escalar.
Qatar – O PREÇO DA NEUTRALIDADE
O emir do Qatar ligou duas vezes a Trump nos primeiros dias da guerra. Pediu diplomacia. Alertou para uma escalada perigosa. Era o que Doha sempre fez — colocar-se no meio, falar com todos, transformar a sua pequenez geográfica em indispensabilidade política. Trump tinha garantido a segurança territorial do Qatar por ordem executiva. Depois o Irão atacou Ras Laffan, a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo e o argumento inteiro da estratégia qatari. O modelo que durante décadas tornou o Qatar indispensável revelou-se, no momento decisivo, insuficiente para o proteger.
Escoltar o perigo
Em 1988, o USS Samuel B Roberts regressava de uma missão de escolta quando uma mina iraniana abriu um rombo de nove pés no seu casco. Quase quatro décadas depois, Washington calcula se consegue fazer o mesmo sem o mesmo resultado. O problema não é vontade política. É que os navios de guerra americanos têm casco simples — e os petroleiros que escoltam têm casco duplo. Em 1987, foi o petroleiro que sobreviveu intacto. Os destroyers ficaram atrás, protegidos pelo navio que deviam proteger.
O PARTIDO QUE NÃO CONSEGUE ESPERAR
Angela Rayner chamou aos planos de imigração do governo "un-British" e "breach of trust" na mesma semana em que uma carta com mais de cem assinaturas de deputados Labour chegou à ministra do Interior. As negações dos seus aliados foram precisas demais para serem apenas negações. O que está em disputa não é a política de imigração — é a autoridade de Starmer e o momento certo para a questionar abertamente.
Os curdos, a guerra e a promessa que Washington nunca cumpre
Há um padrão que se repete há décadas: os Estados Unidos incentivam os curdos, usam-nos quando precisam, e abandonam-nos quando os custos políticos sobem. Agora, com a guerra no Irão na terceira semana sem sinal de capitulação do regime, a questão volta à mesa — não como invasão, mas como algo mais subtil e potencialmente mais perigoso: uma função de desgaste, discreta, negável, com os curdos do Zagros no centro e Teerão já a bombardear preventivamente a região. Washington diz que não. A história diz que essa palavra tem prazo de validade.
Ormuz: quando a força não produz desfecho – DESPACHO
Os Estados Unidos mantêm superioridade militar, mas não conseguem transformar essa vantagem em controlo político do conflito. No Estreito de Ormuz, o Irão não precisa de vencer em campo aberto — basta-lhe impedir a normalidade, pressionar os mercados e prolongar a fricção entre força e desfecho. É nessa assimetria que a guerra se torna mais reveladora: Washington consegue golpear, mas ainda não demonstrou que sabe fechar.


