Envelhecimento da população chinesa: menos trabalhadores

O envelhecimento da população chinesa aumenta as necessidades de pensões e cuidados, enquanto diminui o peso das gerações em idade de trabalhar.

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CONTEXTO · Economia e Poder · China · Demografia

A redução da população chinesa coincide com uma mudança mais profunda: diminui o peso das gerações em idade ativa enquanto cresce rapidamente o número de idosos. Pensões, consumo, emprego e políticas de natalidade terão de se adaptar a uma estrutura demográfica diferente daquela que acompanhou décadas de crescimento.

O envelhecimento da população chinesa acompanha uma inversão que começou depois de décadas em que a China teve uma proporção crescente de habitantes em idade de trabalhar. Em 1978, as pessoas entre os 15 e os 64 anos representavam 57% dos habitantes. Em 2010, aproximavam-se de 75%.

Foi nesse intervalo que milhões de trabalhadores entraram numa economia em industrialização acelerada, participaram na construção de infraestruturas e acompanharam o crescimento das cidades e das empresas. Ao longo de três décadas de taxas de crescimento próximas dos 10% ao ano, a economia chinesa expandiu-se cerca de vinte vezes.

Fábrica junto ao rio Yangtze, na China, num artigo sobre população ativa e envelhecimento demográfico
Fábrica junto ao rio Yangtze, na China. Foto: High Contrast / Wikimedia Commons, CC BY 2.0 DE.

A população atingiu aproximadamente 1,4 mil milhões de habitantes em 2021 e começou depois a diminuir. A redução situa-se atualmente entre três e quatro milhões de pessoas por ano. Cerca de 15% dos chineses têm 65 ou mais anos; na década de 2040, essa proporção poderá aproximar-se de 30% e, mais tarde, ultrapassar largamente os 40%.

O envelhecimento da população chinesa altera, assim, a relação entre gerações. As coortes mais novas que chegam à idade de trabalhar são menores, enquanto aumenta o número de pessoas que passam mais anos na reforma e recorrem a pensões, cuidados de saúde e outros serviços associados ao envelhecimento.

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Envelhecimento da população chinesa: menos trabalhadores a chegar

A baixa natalidade prolongada já condiciona a dimensão das gerações que entrarão no mercado de trabalho nos próximos anos. Essas pessoas já nasceram. As políticas adotadas hoje podem influenciar gerações futuras, mas não aumentar o número de jovens adultos disponíveis no curto prazo.

Se as atuais tendências de fecundidade muito baixa se mantiverem, durante a década de 2040 a população chinesa poderá diminuir cerca de 1% por ano, aproximadamente dez milhões de pessoas anualmente.

Durante a expansão das décadas anteriores, o aumento da população em idade ativa acompanhou o crescimento industrial. Nas próximas décadas, empresas e serviços públicos terão de funcionar num país em que essa parcela da população perde peso relativo. A automação é uma das respostas já visíveis a necessidades de mão de obra, tema desenvolvido no Arcana News em Corrida dos robôs humanoides: como a China está a tentar comandar a próxima vaga tecnológica.

Os efeitos do envelhecimento da população chinesa dependem também de quanto tempo os adultos permanecem profissionalmente ativos.

Durante décadas, a idade de reforma foi de 60 anos para os homens, 55 para mulheres em profissões administrativas e 50 para mulheres em trabalhos manuais. Investigadores chineses projetaram que o principal fundo urbano de pensões, que abrange cerca de 500 milhões de trabalhadores, reformados e funcionários, poderá esgotar-se em meados da década de 2030.

Em 2024 foi anunciado um aumento progressivo das idades de reforma. A aplicação deverá prolongar-se até 2040, quando os limites chegarão aos 63 anos para os homens, 58 para mulheres em profissões administrativas e 55 para mulheres em trabalhos manuais.

Manter as pessoas durante mais tempo no mercado de trabalho altera durante alguns anos a relação entre contribuintes e beneficiários. A pressão seguinte vem do crescimento continuado do grupo mais velho.

Envelhecimento da população chinesa e pensões

Envelhecimento da população chinesa: grupo de idosos em atividades culturais no Parque Jingshan, em Pequim
Idosos participam em atividades culturais no Parque Jingshan, em Pequim. Foto: gongfu_king / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0.

Em 2022, cerca de 138 milhões de reformados urbanos recebiam uma pensão média anual equivalente a 6080 dólares. Cerca de 175 milhões de reformados rurais e migrantes recebiam, em média, aproximadamente 345 dólares por ano, cerca de dezoito vezes menos.

Esta diferença faz com que o envelhecimento da população chinesa tenha consequências materiais muito distintas entre grupos. Uma expansão das prestações rurais exigiria mais recursos, precisamente quando cresce o número total de idosos abrangidos pelos diferentes sistemas.

A questão chega também ao consumo das famílias.

Quem espera uma pensão reduzida ou antecipa despesas elevadas com saúde tem razões para reservar uma parte maior do rendimento disponível. O reforço das pensões e de outras prestações, sobretudo entre quem recebe menos, pode reduzir essa necessidade de poupança e deixar mais rendimento disponível para outras despesas.

As autoridades mantêm uma forte aposta na indústria e nas exportações enquanto procuram também reforçar o consumo interno. O envelhecimento acrescenta despesas com pensões, saúde e cuidados continuados a essa equação, e parte delas recai diretamente sobre as famílias. A relação entre consumo e estratégia económica chinesa é aprofundada em Consumo ao centro: os limites da nova estratégia da China.

Entre os residentes rurais e migrantes inscritos no sistema público de saúde, os prémios aumentaram ao longo das últimas duas décadas. Cerca de 83 milhões terão abandonado essa cobertura nos últimos anos por não conseguirem acompanhar os custos.

Essas pessoas chegarão também à velhice.

Natalidade e envelhecimento da população chinesa

Crianças caminham numa rua de Pequim, numa China marcada pela redução das gerações mais jovens
Crianças numa rua de Pequim. Foto: Scott Meltzer / Wikimedia Commons, domínio público.

Em 2021, as autoridades lançaram novas medidas destinadas a incentivar a natalidade, entre elas apoios financeiros associados aos bebés e licenças parentais. A promoção oficial de famílias com vários filhos ganhou igualmente maior presença.

Entre 2013 e 2024, porém, o número de novos casamentos caiu aproximadamente 55%. Homens e mulheres têm-se afastado da formação familiar ao mesmo tempo que o país procura aumentar o número de nascimentos.

Mesmo que as políticas consigam elevar a natalidade, os efeitos sobre a população ativa demoram. Uma criança nascida agora só entrará muitos anos depois no grupo etário entre os 15 e os 64 anos.

As autoridades têm também insistido no papel das mulheres na família e na maternidade. Essa orientação convive com a descida dos casamentos e da fecundidade que as medidas financeiras e as licenças parentais procuram contrariar. Até agora, as iniciativas adotadas não inverteram a trajetória demográfica.

Poucos estrangeiros

Família com uma criança no Parque Beihai, em Pequim, num artigo sobre natalidade e envelhecimento na China
Família com uma criança no Parque Beihai, em Pequim. Foto: Daniel Case / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0.

Vários países asiáticos afetados pela baixa natalidade começaram a recorrer mais a trabalhadores estrangeiros. Na China, os residentes estrangeiros representavam aproximadamente 0,1% da população tanto no censo de 2010 como no de 2020.

Em agosto de 2025, as autoridades anunciaram um novo visto destinado a jovens estrangeiros qualificados nas áreas da ciência, tecnologia, engenharia e matemática. A iniciativa procurava atrair talento internacional para setores considerados importantes.

Nesse mesmo mês, o desemprego entre os jovens chineses situava-se em 18,9%. O anúncio do visto provocou forte contestação nas redes sociais, incluindo receios de que trabalhadores estrangeiros aumentassem a concorrência pelo emprego. Mais de um ano depois, não havia indicação de que o novo visto tivesse sido emitido.

A escala da imigração permanece, assim, muito reduzida perante a dimensão do envelhecimento da população chinesa.

As projeções demográficas das Nações Unidas permitem acompanhar a evolução da população e da sua estrutura etária. São cenários sujeitos a revisão, sobretudo quando dependem da natalidade futura.

O calendário do envelhecimento da população chinesa

A idade da reforma pode ser alterada por decisão administrativa. Pensões e cobertura de saúde podem ser revistas. Trabalhadores estrangeiros podem, em determinadas condições, entrar no país.

A natalidade obedece a outro calendário. Mesmo uma mudança rápida no número de nascimentos demoraria muitos anos a chegar ao mercado de trabalho.

Entretanto, a população já diminui e a proporção de idosos cresce. As gerações que entrarão no mercado de trabalho durante os próximos anos têm uma dimensão que as políticas atuais já não podem modificar.

É sobre a população existente que incidem as decisões de efeito mais próximo: durante quanto tempo permanece profissionalmente ativa, que pensão recebe, que proteção de saúde conserva e quanto desses custos fica a cargo das famílias.

A China que beneficiou de uma população ativa em expansão está a desaparecer antes de ser conhecida a forma exata da que lhe sucederá. Na década de 2040, perto de três em cada dez habitantes poderão ter pelo menos 65 anos. Ao mesmo tempo, se as tendências atuais se mantiverem, o país poderá perder cerca de dez milhões de habitantes por ano.

As duas projeções descrevem dimensões do envelhecimento da população chinesa. Durante décadas, cada geração que chegava à idade de trabalhar encontrava uma China construída em torno de uma força laboral abundante. As próximas encontrarão cada vez mais idosos e menos pessoas a chegar atrás delas.

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