USS Abraham Lincoln: cinco dias em terra após meses no mar

A escala do USS Abraham Lincoln levou milhares de militares à Tailândia. Pattaya preparou transportes e estabelecimentos para uma visita com regras de segurança e horários de regresso a bordo.

Economia

Luís Avelar
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Luís Avelar é autor no Arcana News. A História e as dinâmicas do poder estão entre os seus principais interesses, a par das mudanças sociais e da política internacional. Escreve sobre os acontecimentos e as relações que ajudam a compreender como chegámos ao presente.
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O USS Abraham Lincoln chegou a Laem Chabang, no leste da Tailândia, a 2 de setembro de 2026, para uma escala prevista de cinco dias depois de mais de 260 dias no mar. Durante grande parte da missão, o porta-aviões apoiou operações norte-americanas no Médio Oriente.

Outros dois navios da Marinha dos Estados Unidos acompanharam a visita. Cerca de cinco mil militares eram esperados em Pattaya, onde restaurantes e bares reforçaram as equipas, aumentaram a capacidade de atendimento e prepararam noites com música.

Os autocarros previstos para ligar o porto ao centro tinham horários das cinco da manhã às duas da madrugada. Antes de desembarcarem, os tripulantes recebem instruções de segurança, devem organizar-se em pares e ficam sujeitos a horas de regresso diferentes consoante a patente.

Pattaya recebe forças norte-americanas desde quando era uma pequena povoação piscatória. A cidade cresceu, ganhou hotéis internacionais e passou a atrair turistas de várias origens. As escalas navais mantiveram-se. Na região vivem também veteranos que ali se instalaram depois de deixarem o serviço.

USS Abraham Lincoln: entre o cais e Walking Street

Walking Street concentra bares e clubes; Beach Road reúne restaurantes junto à praia. Os estabelecimentos prepararam-se para receber milhares de visitantes num intervalo curto, com mais trabalhadores, balcões adicionais e programação musical.

Depois de meses no mar, os tripulantes do USS Abraham Lincoln puderam procurar refeições, praia e espaços de convívio. O plano de transportes previa autocarros entre o porto e o centro durante quase todo o dia e parte da noite.

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Pattaya dispõe de alojamento, restauração e locais de diversão frequentados por turistas de muitas nacionalidades. Para os militares, a passagem por esses espaços decorre segundo as instruções recebidas a bordo.

Militares do USS Abraham Lincoln lançam uma linha durante a chegada ao porto de Laem Chabang
Militares do USS Abraham Lincoln lançam uma linha durante as manobras de chegada a Laem Chabang, em 2 de setembro de 2026. O porto dá acesso às deslocações em terra da tripulação. Fotografia: Gage Thomas, Marinha dos EUA/DVIDS. Domínio público.

Sair de bordo com instruções de segurança

As sessões de informação anteriores ao desembarque incluem cuidados com possíveis aproximações de serviços de informações estrangeiros. Os militares devem sair acompanhados e respeitar as horas de regresso atribuídas à sua patente.

A polícia militar norte-americana costuma trabalhar com as autoridades locais, incluindo através de patrulhas conjuntas nas zonas frequentadas pelas tripulações.

Poramet Ngampichet, presidente da câmara de Pattaya, indicou que os militares foram instruídos a evitar atividades como passeios de mota de água e voos de paraquedas rebocados por embarcações.

A escala do USS Abraham Lincoln foi anunciada para cinco dias. Esse período não corresponde a cinco dias de licença para cada tripulante: o tempo disponível em terra depende dos horários autorizados, aos quais se somam as deslocações entre o porto e a cidade.

Janalyn Trujillo mantém vigilância a bordo do USS Abraham Lincoln durante a entrada em Laem Chabang
Janalyn Trujillo mantém vigilância a bordo do USS Abraham Lincoln na chegada à Tailândia, em 2 de setembro de 2026. A escala combina a saída das tripulações com os procedimentos de segurança. Fotografia: Gage Thomas, Marinha dos EUA/DVIDS. Domínio público.

Quando Pattaya era uma povoação piscatória

No final da década de 1950 ou no início da seguinte, militares norte-americanos colocados na Tailândia começaram a visitar a baía de Pattaya. A povoação era pequena e estava rodeada de vegetação. Alguns militares acampavam na praia durante as licenças.

O aeródromo próximo de U-Tapao tornou-se uma importante base de operações durante a Guerra do Vietname. Junto à baía surgiram negócios destinados a servir militares com dinheiro para gastar e à procura de distração fora do serviço.

As visitas continuaram através das escalas navais. Os porta-aviões fundeavam na baía e embarcações locais transportavam os militares para terra. A região dispõe hoje de um porto com profundidade suficiente para receber esses navios junto ao cais.

A área alargada de Pattaya ultrapassou os 350 mil habitantes. Hotéis de cadeias internacionais e edifícios de apartamentos passaram a acompanhar a frente marítima, onde chegam turistas da Europa, da Rússia e de outras regiões.

A vida noturna continua a ser uma das atrações. As tripulações norte-americanas encontram agora uma cidade turística muito maior do que a povoação onde os primeiros militares acampavam junto à praia.

Militares do USS Pinckney participam num desfile numa rua de Pattaya, na Tailândia, em 2017
Militares do USS Pinckney num desfile em Pattaya, em 19 de novembro de 2017, nas celebrações dos cinquenta anos da ASEAN. Imagem de arquivo da relação entre a cidade e as visitas da Marinha norte-americana. Fotografia: Craig Z. Rodarte, Marinha dos EUA/DVIDS. Domínio público.

Os veteranos que vivem na região

Pattaya acolhe também antigos militares norte-americanos que se instalaram na Tailândia depois de deixarem o serviço. A associação local Veterans of Foreign Wars reúne cerca de 420 membros.

Para os tripulantes do USS Abraham Lincoln, a visita terminou com o regresso a bordo. Os veteranos residentes têm de organizar a permanência no país ao longo do ano. Na associação, partilham informação sobre vistos e seguros de saúde.

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