Num fundo de capital privado, o investidor entrega ao gestor a escolha das operações. Num coinvestimento, participa diretamente numa empresa ao lado do fundo. A diferença está antes das comissões: está em quem escolhe o negócio.
Essa participação direta pode ter comissões reduzidas ou nulas e permite decidir onde e quando aplicar capital. Em contrapartida, exige avaliar a oportunidade no prazo do negócio: semanas ou dias, e não os meses que pode demorar a escolher um gestor.
É uma troca de responsabilidades, não apenas de custos.

Crescimento com bases diferentes
O modelo tem crescido. Segundo dados da S&P Global Market Intelligence citados pelo Financial Times, o volume de coinvestimentos atingiu 198 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano anterior. A captação de capital pelos fundos cresceu 5%, para 312 mil milhões de dólares.
São atividades diferentes. Um valor mede operações concretas de coinvestimento. O outro mede o capital angariado por fundos para investir depois. Não se somam, nem descrevem a mesma fase. Mostram apenas que o coinvestimento cresceu mais depressa num mercado em que os dois canais continuaram ativos.
O investidor não tem de escolher um ou outro. Pode comprometer capital com gestores e, separadamente, entrar em operações concretas. Escolher participar numa operação não é o mesmo que passar a gerir a empresa.

O que significam as comissões
Nos fundos tradicionais, o modelo mais referido é o de 2% de comissão de gestão e 20% de participação nos lucros, o carried interest. São práticas frequentes, não condições universais.
São bases diferentes: uma remunera a gestão, a outra liga parte da remuneração ao resultado. Não se somam numa taxa única. Nos coinvestimentos, essas componentes podem ser reduzidas ou inexistentes.
Menores encargos deixam uma parcela maior do resultado para o investidor, mas não garantem que o resultado exista. O preço pago pela participação e a evolução da empresa continuam a contar, mesmo quando a gestão custa menos.

Quando a escolha passa para o investidor
Num fundo, o ritmo a que o capital é aplicado depende do gestor. No coinvestimento, o investidor aceita — ou recusa — um negócio disponível naquele momento.
Isso muda o objeto da avaliação. Ao escolher um fundo, avalia quem vai decidir e com que estratégia. Ao aceitar um coinvestimento, avalia também o negócio apresentado — a empresa, o setor, a região — e tem de o fazer no calendário da operação.
Um prazo curto não torna a operação melhor ou pior. Define apenas as condições em que tem de ser analisada. A maior liberdade para escolher diretamente implica ter capacidade para decidir a tempo.

Um caso não faz regra
Uma avaliação apresentada em janeiro de 2026 ao conselho de administração do CalPERS, o sistema de pensões dos funcionários públicos da Califórnia, mostra porquê. Segundo o Financial Times, Anton Orlich, então responsável pelo investimento em capital privado, afirmou que os coinvestimentos da instituição ficaram abaixo das carteiras de capital privado na maioria dos períodos das três décadas até 2022 e que essa relação se inverteu nos três anos mais recentes.
É a experiência de uma instituição, num intervalo específico. Não estabelece uma regra para todos. Mostra que as condições de custo favoráveis ao coinvestimento não determinam, por si só, o desempenho e que a relação entre os dois modelos pode mudar com as operações incluídas e o período observado.
O coinvestimento aproxima o investidor da escolha concreta. Pode reduzir encargos e permitir decidir o destino e o momento da aplicação do capital. O fundo mantém outra distribuição de responsabilidades: o investidor escolhe o gestor e a estratégia; o gestor escolhe as operações.
A diferença não é só o valor das comissões. É quem escolhe, o que escolhe e quanto tempo tem para o fazer.
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Fontes
- Financial Times — Institutional investors challenge PE fund model with direct deals, 9 de outubro de 2026. Fonte dos números atribuídos à S&P e das declarações de Orlich.
- CalPERS — The CalPERS Private Equity Turnaround, apresentação de janeiro de 2026.
- CalPERS — nomeações para os mercados privados, junho de 2026.
Imagem de capa: Sala de reuniões: imagem ilustrativa da avaliação e decisão sobre investimentos. Fotografia: Luis Argerich / Wikimedia Commons, CC BY 2.0. Fonte · Licença.
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