Coinvestimento: menos comissões, decisões diferentes

O investidor não tem de escolher um ou outro. Pode comprometer capital com gestores e, separadamente, entrar em operações concretas. Escolher participar numa operação não é o mesmo que passar a gerir a empresa.

Economia

Luís Avelar
Luís Avelarhttps://www.arcananews.com/
Luís Avelar é autor no Arcana News. A História e as dinâmicas do poder estão entre os seus principais interesses, a par das mudanças sociais e da política internacional. Escreve sobre os acontecimentos e as relações que ajudam a compreender como chegámos ao presente.
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Num fundo de capital privado, o investidor entrega ao gestor a escolha das operações. Num coinvestimento, participa diretamente numa empresa ao lado do fundo. A diferença está antes das comissões: está em quem escolhe o negócio.

Essa participação direta pode ter comissões reduzidas ou nulas e permite decidir onde e quando aplicar capital. Em contrapartida, exige avaliar a oportunidade no prazo do negócio: semanas ou dias, e não os meses que pode demorar a escolher um gestor.

É uma troca de responsabilidades, não apenas de custos.

Edifícios de escritórios de Canary Wharf, em Londres
Canary Wharf, em Londres, em 2014. Imagem ilustrativa do setor financeiro; não representa uma operação de coinvestimento. Fotografia: Salimfadhley / Wikimedia Commons, CC BY-SA 3.0. Fonte · Licença.

Crescimento com bases diferentes

O modelo tem crescido. Segundo dados da S&P Global Market Intelligence citados pelo Financial Times, o volume de coinvestimentos atingiu 198 mil milhões de dólares no primeiro semestre de 2026, mais do dobro do registado no mesmo período do ano anterior. A captação de capital pelos fundos cresceu 5%, para 312 mil milhões de dólares.

São atividades diferentes. Um valor mede operações concretas de coinvestimento. O outro mede o capital angariado por fundos para investir depois. Não se somam, nem descrevem a mesma fase. Mostram apenas que o coinvestimento cresceu mais depressa num mercado em que os dois canais continuaram ativos.

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O investidor não tem de escolher um ou outro. Pode comprometer capital com gestores e, separadamente, entrar em operações concretas. Escolher participar numa operação não é o mesmo que passar a gerir a empresa.

Notas de cem dólares norte-americanos
Notas de dólares norte-americanos, em fotografia de 2012. As comissões de gestão e a participação nos lucros têm bases de cálculo distintas. Fotografia: Milad Mosapoor / Wikimedia Commons, domínio público nos EUA. Fonte · Licença.

O que significam as comissões

Nos fundos tradicionais, o modelo mais referido é o de 2% de comissão de gestão e 20% de participação nos lucros, o carried interest. São práticas frequentes, não condições universais.

São bases diferentes: uma remunera a gestão, a outra liga parte da remuneração ao resultado. Não se somam numa taxa única. Nos coinvestimentos, essas componentes podem ser reduzidas ou inexistentes.

Menores encargos deixam uma parcela maior do resultado para o investidor, mas não garantem que o resultado exista. O preço pago pela participação e a evolução da empresa continuam a contar, mesmo quando a gestão custa menos.

Vista dos edifícios do distrito financeiro de São Francisco a partir da Coit Tower
Distrito financeiro de São Francisco, em 2019. Imagem ilustrativa: escolher uma operação exige avaliar a empresa e as condições do negócio. Fotografia: GyozaDumpling / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Fonte · Licença.

Quando a escolha passa para o investidor

Num fundo, o ritmo a que o capital é aplicado depende do gestor. No coinvestimento, o investidor aceita — ou recusa — um negócio disponível naquele momento.

Isso muda o objeto da avaliação. Ao escolher um fundo, avalia quem vai decidir e com que estratégia. Ao aceitar um coinvestimento, avalia também o negócio apresentado — a empresa, o setor, a região — e tem de o fazer no calendário da operação.

Um prazo curto não torna a operação melhor ou pior. Define apenas as condições em que tem de ser analisada. A maior liberdade para escolher diretamente implica ter capacidade para decidir a tempo.

Fachada do Capitólio do Estado da Califórnia em Sacramento
Capitólio da Califórnia, em Sacramento, em 2021. Imagem de contexto do estado cujo sistema de pensões CalPERS é referido no artigo; não mostra a sede nem uma reunião da instituição. Fotografia: DestinationFearFan / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Fonte · Licença.

Um caso não faz regra

Uma avaliação apresentada em janeiro de 2026 ao conselho de administração do CalPERS, o sistema de pensões dos funcionários públicos da Califórnia, mostra porquê. Segundo o Financial Times, Anton Orlich, então responsável pelo investimento em capital privado, afirmou que os coinvestimentos da instituição ficaram abaixo das carteiras de capital privado na maioria dos períodos das três décadas até 2022 e que essa relação se inverteu nos três anos mais recentes.

É a experiência de uma instituição, num intervalo específico. Não estabelece uma regra para todos. Mostra que as condições de custo favoráveis ao coinvestimento não determinam, por si só, o desempenho e que a relação entre os dois modelos pode mudar com as operações incluídas e o período observado.

O coinvestimento aproxima o investidor da escolha concreta. Pode reduzir encargos e permitir decidir o destino e o momento da aplicação do capital. O fundo mantém outra distribuição de responsabilidades: o investidor escolhe o gestor e a estratégia; o gestor escolhe as operações.

A diferença não é só o valor das comissões. É quem escolhe, o que escolhe e quanto tempo tem para o fazer.

Leia também Investimento em inteligência artificial disputa a poupança, sobre a procura de capital e as condições de financiamento.

Fontes

Imagem de capa: Sala de reuniões: imagem ilustrativa da avaliação e decisão sobre investimentos. Fotografia: Luis Argerich / Wikimedia Commons, CC BY 2.0. Fonte · Licença.

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