Nas eleições em Taiwan de 2024, Lai Ching-te venceu a presidência com 40,05% dos votos. O seu partido ficou com 51 dos 113 lugares do parlamento, menos um do que o Kuomintang. O Partido Democrático Progressista conservou a presidência, que ocupa desde 2016, mas não obteve uma maioria parlamentar.
Em 2028, os eleitores voltarão a escolher quem governa e quem aprova as leis. Poderão entregar ambos os mandatos à mesma força política ou repetir a divisão de 2024. Pequim acompanhará o resultado para saber com quem terá de lidar em Taipé. Washington, que apoia a capacidade de defesa da ilha, também terá nesse ano uma eleição presidencial.
Eleições em Taiwan em 2028: presidência e parlamento
Lai Ching-te pode candidatar-se a um segundo mandato. A Constituição permite uma reeleição consecutiva. Se vencer, prolongará a permanência do Partido Democrático Progressista na presidência. Falta saber quantos deputados o apoiariam.
Segundo os resultados oficiais da Comissão Eleitoral Central, o Kuomintang obteve 52 lugares em 2024, o Partido Democrático Progressista 51, o Partido Popular de Taiwan oito e dois candidatos independentes foram eleitos. Uma maioria exige 57 deputados. Nenhum partido chegou lá sozinho.
Um presidente pode definir prioridades e representar Taiwan perante outros governos. Precisa do parlamento para aprovar legislação e verbas. As eleições em Taiwan em 2028 decidirão as duas coisas, e uma vitória presidencial não garantirá necessariamente a segunda.

O que Pequim poderá encontrar em Taipé
A República Popular da China defende a reunificação. No livro branco que publicou em 2022, apresenta uma solução pacífica como preferência, mas declara que não renuncia ao uso da força. O documento identifica as autoridades do Partido Democrático Progressista como um obstáculo à política de Pequim.
Se outro partido ganhar a presidência, poderão abrir-se contactos políticos hoje difíceis. O alcance desses contactos dependerá do governo eleito, da composição do parlamento e das decisões que ambos tomarem. A disponibilidade para conversar, por si só, não constitui um acordo sobre o futuro de Taiwan.
Pequim saberá em 2028 quem ocupa a presidência e com que apoio parlamentar governa. A dimensão militar da relação entre a China e Taiwan é tratada no dossiê do Arcana News sobre pressão e dissuasão no estreito. Isso poderá alterar a forma da relação entre as duas partes. O objetivo declarado pelo governo chinês continuará a ter de ser confrontado com as escolhas feitas pelos eleitores taiwaneses.

A eleição nos Estados Unidos
A Lei das Relações com Taiwan, que enquadra a relação norte-americana com a ilha prevê o fornecimento de artigos e serviços de defesa necessários à capacidade de autodefesa da ilha. Considera ainda uma tentativa de determinar o futuro de Taiwan por meios não pacíficos uma questão de grave preocupação para os Estados Unidos.

Em 2028, os norte-americanos elegerão um presidente que terá de tomar decisões dentro desse enquadramento. Caber-lhe-á conduzir a relação com Pequim e definir as prioridades da cooperação com Taiwan. O resultado em Washington terá peso próprio, independentemente de quem vença em Taipé.
As duas eleições colocarão, assim, novos dirigentes perante uma disputa que nenhum deles decide sozinho. Pequim terá de atuar perante os resultados de ambas. Antes das votações, não há base para apresentar como certa uma negociação, um bloqueio ou uma invasão.
Em 2024, os eleitores de Taiwan escolheram um presidente sem lhe dar uma maioria parlamentar. Em 2028, poderão confirmar essa divisão ou desfazê-la. Quando os votos forem contados, saber-se-á quem recebeu o mandato para conduzir a relação com Pequim e quantos deputados estarão dispostos a sustentar as decisões desse governo.
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