Noruega debate investir na indústria nuclear militar

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A comissão propõe uma exceção para fabricantes de países aliados e uma alteração das responsabilidades do Conselho de Ética e do banco central.

Economia

Alberto Carvalho
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Alberto Carvalho é cronista e editor convidado do Arcana News, onde escreve sobre política, cultura e vida pública. É autor de mais de setenta artigos, combinando rigor crítico e clareza jornalística, com uma atenção permanente ao impacto social das decisões coletivas.
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Uma empresa excluída por participar na produção de armamento nuclear poderá voltar a ser elegível para investimento do fundo soberano norueguês.

A exceção aplicar-se-ia a fabricantes sediados num Estado reconhecido como potência nuclear pelo Tratado de Não Proliferação e aliado da Noruega. É a proposta da comissão que entregou, em 15 de outubro de 2026, uma revisão das regras éticas do fundo.

O que muda quando a condição de aliado passa a decidir que fabricantes de armamento nuclear podem receber investimento?

A proibição geral permaneceria. A alteração poderá abrir a carteira a grupos como Boeing, BAE Systems e Lockheed Martin, atualmente excluídos. O fundo gere cerca de 2,3 biliões de dólares, segundo a Reuters.

Fundo soberano norueguês: a condição de aliado passa a contar

A comissão, presidida pelo antigo governador do banco central Svein Gjedrem, invoca a mudança do contexto de segurança e a importância da dissuasão nuclear da NATO.

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Duas empresas envolvidas na mesma atividade poderão receber tratamentos diferentes consoante o Estado onde estão sediadas.

A Campanha Internacional para a Abolição das Armas Nucleares, ICAN, rejeitou a proposta. A sua diretora executiva, Melissa Parke, contestou a justificação ética do investimento e alertou para a responsabilidade de financiar fabricantes destas armas.

A comissão considera a proteção nuclear da Aliança uma razão para rever as exclusões. A ICAN entende que investir nessas empresas aumenta os riscos que a abolição das armas procura eliminar. A discussão financeira cruza-se, assim, com o papel da dissuasão e da pressão nuclear nas relações entre Estados.

Quem avalia e quem decide

A comissão propõe que o Conselho de Ética conserve a independência técnica para avaliar o risco de violações graves, mas deixe de recomendar a medida a aplicar. Caberia ao Norges Bank escolher os instrumentos, incluindo procurar influenciar a empresa enquanto acionista ou excluí-la da carteira.

Permanecer como acionista permite votar e pressionar a administração, mas mantém o dinheiro investido. Vender a participação põe fim à posição acionista do fundo nessa empresa. A distinção ajuda a perceber o alcance das decisões de quem participa no capital.

Já vigora um regime transitório. Segundo a entidade gestora, as orientações temporárias impedem o Norges Bank de decidir novas exclusões ou colocações sob observação. Permitem, porém, revogar decisões anteriores.

A exceção nuclear ainda não foi adotada. O Ministério das Finanças abriu a consulta pública até 15 de janeiro de 2027 e prevê apresentar a sua avaliação na primavera de 2027.

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