Marco Rubio quer discutir com a Reliance o processamento de mais petróleo venezuelano na Índia e a possibilidade de a empresa participar na sua produção. O secretário de Estado norte-americano anunciou essa intenção em Mumbai, em 20 de outubro, antes da deslocação prevista ao complexo de refinação de Jamnagar. A Reliance importa crude da Venezuela, mas, segundo a Reuters, não desenvolve atualmente atividade de produção naquele país.
O que torna Jamnagar importante para esta negociação e como se cruza a proposta com as compras indianas de petróleo russo?
Petróleo venezuelano na Índia: o papel de Jamnagar
Jamnagar dá à Índia uma posição relevante nessa negociação. A Reliance indica uma capacidade de processamento de 1,4 milhões de barris por dia e instalações capazes de trabalhar com quase todas as variedades de petróleo. Do complexo saem gasolina, gasóleo e combustível de aviação, entre outros produtos.
A escolha da matéria-prima e a capacidade de a transformar tornam o complexo um interlocutor importante para países que procuram novos mercados para o seu crude.
Na entrevista concedida à Network18, Rubio apresentou a cooperação energética como uma oportunidade para diversificar o abastecimento indiano. Referiu expressamente o petróleo venezuelano e o interesse em aproximar a capacidade de refinação da Índia dos recursos do hemisfério ocidental.

O problema russo continua à mesa
As compras de petróleo russo permanecem um ponto de tensão. Segundo a Reuters, Donald Trump dispensou recentemente a aplicação de potenciais sanções contra grandes compradores desse crude, decisão que poderá facilitar o entendimento comercial com Nova Deli.
Rubio defendeu, na entrevista, que Washington tem de ponderar as consequências internacionais das sanções, além da pressão exercida sobre Moscovo. Reconheceu a tensão existente com a Índia e manifestou a expectativa de que o acordo comercial ajude a resolvê-la.
Sobre esse acordo, apontou para uma conclusão dentro de semanas. Disse que restam detalhes técnicos, incluindo a necessidade de garantir que as duas partes atribuem o mesmo significado à redação negociada. A condução das negociações cabe ao representante norte-americano para o Comércio.
A visita reúne, assim, duas negociações com consequências práticas para as empresas indianas: as condições de acesso ao mercado norte-americano e as possibilidades de abastecimento energético. Em Jamnagar, Rubio procura transformar essa aproximação num negócio petrolífero. A intenção anunciada não corresponde ainda a um acordo para aumentar a refinação ou iniciar a produção.

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Fontes
- Reuters, declarações de Rubio em Mumbai, 20 de outubro de 2026.
- Network18 / Moneycontrol, entrevista de Rahul Joshi a Marco Rubio, 20 de outubro de 2026.
- Departamento de Estado dos EUA, registo da entrevista à Network18.
- Reliance Industries, características do complexo de Jamnagar.
Imagem principal: Marco Rubio fala à imprensa na base de Andrews antes da deslocação ao Uzbequistão e à Índia, em 17 de outubro de 2026. Freddie Everett / Departamento de Estado dos EUA. Domínio público.
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