A CNN voltou à Casa Branca. Ao avião de Trump, não

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A estação ameaça regressar ao tribunal por continuar excluída dos voos presidenciais. A disputa afeta uma cobertura partilhada por televisões de todo o mundo.

Economia

Luís Avelar
Luís Avelarhttps://www.arcananews.com/
Luís Avelar é autor no Arcana News. A História e as dinâmicas do poder estão entre os seus principais interesses, a par das mudanças sociais e da política internacional. Escreve sobre os acontecimentos e as relações que ajudam a compreender como chegámos ao presente.
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A CNN recuperou as credenciais para entrar na Casa Branca, mas continua sem conseguir acompanhar Donald Trump em viagens para as quais estava escalada. A presença da CNN no Air Force One continua, assim, em disputa.

Uma estação pode recuperar por ordem judicial o acesso ao complexo presidencial e continuar afastada dos lugares onde o Presidente responde aos jornalistas?

Numa carta enviada ao Departamento de Justiça em 19 de outubro, o advogado Ted Boutrous exigiu o fim das exclusões, segundo a notícia publicada pela CNN. A estação deu à Administração um prazo para confirmar por escrito que deixará de impedir a sua participação na cobertura do Air Force One e da Sala Oval. Caso contrário, pretende pedir nova intervenção judicial.

CNN no Air Force One: a equipa trabalha para outras estações

Os lugares disponíveis nas deslocações presidenciais são limitados. Para assegurar a cobertura televisiva, cinco grandes estações alternam a responsabilidade de enviar uma equipa que recolhe imagens e som para utilização pelos restantes órgãos de comunicação.

Quando chega a sua vez, a CNN desempenha essa função coletiva. A sua exclusão interfere numa escala de trabalho da qual dependem outras redações.

Segundo a estação, voltou a acontecer no fim de semana anterior à carta, numa deslocação de Trump à Geórgia e à Florida. A CNN estava escalada, mas ficou fora do grupo que acompanhou o Presidente. As outras grandes televisões recusaram substituí-la.

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Donald Trump dirige-se ao Marine One na Casa Branca antes da viagem à Geórgia e à Florida
Donald Trump parte da Casa Branca em direção à base de Andrews para uma viagem à Geórgia e à Florida, em 16 de outubro de 2026. Fotografia: Molly Riley / Casa Branca. Domínio público.

O que o tribunal já decidiu

O processo começou depois de Trump anunciar, em setembro, a exclusão da CNN, da MS NOW e do Politico da Casa Branca. Os três órgãos contestaram a medida.

Em 13 de outubro, o juiz federal Timothy Kelly concedeu uma providência cautelar que mantém o acesso enquanto o processo decorre, salvo decisão contrária em recurso. Trata-se de uma decisão provisória, anterior ao julgamento definitivo.

O juiz considerou provável que os órgãos de comunicação demonstrassem uma violação constitucional por discriminação baseada na orientação da sua cobertura. A Administração recorreu.

A restituição das credenciais permite entrar no complexo da Casa Branca, mas a ordem não mencionou o Air Force One nem a participação no grupo restrito de jornalistas que acompanha o Presidente. A Casa Branca tem defendido que viajar no avião presidencial constitui um privilégio.

Não existe, nas decisões aqui referidas, uma determinação judicial específica de que a estação tem de ser admitida em cada voo.

Jornalistas na sala de imprensa James S. Brady da Casa Branca em 13 de outubro de 2026
Conferência de imprensa na sala James S. Brady da Casa Branca, em 13 de outubro de 2026. As credenciais de acesso ao complexo e a participação nos grupos de cobertura restritos são o centro da disputa judicial. Fotografia: Andrea Hanks / Casa Branca. Domínio público.

O caso da Associated Press deixou outra disputa aberta

A distinção entre as credenciais e os espaços de acesso restrito já estava no centro do processo da Associated Press.

Em 2025, a agência contestou as limitações impostas depois de manter a designação «golfo do México» na sua informação, apesar da mudança de nome determinada por Trump para uso norte-americano.

Um tribunal de primeira instância ordenou o levantamento das restrições. Em junho, porém, um painel do tribunal de recurso suspendeu parcialmente essa decisão durante a tramitação do recurso. Em julho, o tribunal reunido em plenário recusou reconsiderar essa suspensão. Essa fase processual não resolveu o mérito do recurso.

Na carta agora descrita pela CNN, Boutrous contesta que aquela decisão provisória permita justificar a exclusão da estação.

A Casa Branca terá de explicar a exclusão

Segundo Boutrous, a CNN não recebeu uma notificação escrita nem uma explicação para ter ficado fora das viagens recentes. O Departamento de Justiça não respondeu ao pedido de comentário da estação até à publicação da notícia, na manhã de 20 de outubro.

A carta exige que a Administração abandone qualquer política de exclusão da CNN daqueles espaços e permita o cumprimento das suas funções na escala de cobertura. A presença da CNN no Air Force One permanece por resolver.

Fontes

Brian Stelter / CNN, 20 de outubro de 2026, republicação pela KVIA, sobre a carta de Boutrous e as exclusões recentes; fundamentação judicial de 13 de outubro de 2026 e respetiva ordem, disponíveis no Knight First Amendment Institute; decisão de 6 de junho de 2025 no caso AP e decisão de 22 de julho sobre a reapreciação em plenário.

Leitura relacionada: NYT processa Pentágono por limitação à liberdade de imprensa.

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