A CNN recuperou as credenciais para entrar na Casa Branca, mas continua sem conseguir acompanhar Donald Trump em viagens para as quais estava escalada. A presença da CNN no Air Force One continua, assim, em disputa.
Uma estação pode recuperar por ordem judicial o acesso ao complexo presidencial e continuar afastada dos lugares onde o Presidente responde aos jornalistas?
Numa carta enviada ao Departamento de Justiça em 19 de outubro, o advogado Ted Boutrous exigiu o fim das exclusões, segundo a notícia publicada pela CNN. A estação deu à Administração um prazo para confirmar por escrito que deixará de impedir a sua participação na cobertura do Air Force One e da Sala Oval. Caso contrário, pretende pedir nova intervenção judicial.
CNN no Air Force One: a equipa trabalha para outras estações
Os lugares disponíveis nas deslocações presidenciais são limitados. Para assegurar a cobertura televisiva, cinco grandes estações alternam a responsabilidade de enviar uma equipa que recolhe imagens e som para utilização pelos restantes órgãos de comunicação.
Quando chega a sua vez, a CNN desempenha essa função coletiva. A sua exclusão interfere numa escala de trabalho da qual dependem outras redações.
Segundo a estação, voltou a acontecer no fim de semana anterior à carta, numa deslocação de Trump à Geórgia e à Florida. A CNN estava escalada, mas ficou fora do grupo que acompanhou o Presidente. As outras grandes televisões recusaram substituí-la.
Quem fica em Washington pode receber as imagens recolhidas pelos colegas, mas perde a possibilidade de fazer perguntas naquele momento.

O que o tribunal já decidiu
O processo começou depois de Trump anunciar, em setembro, a exclusão da CNN, da MS NOW e do Politico da Casa Branca. Os três órgãos contestaram a medida.
Em 13 de outubro, o juiz federal Timothy Kelly concedeu uma providência cautelar que mantém o acesso enquanto o processo decorre, salvo decisão contrária em recurso. Trata-se de uma decisão provisória, anterior ao julgamento definitivo.
O juiz considerou provável que os órgãos de comunicação demonstrassem uma violação constitucional por discriminação baseada na orientação da sua cobertura. A Administração recorreu.
A restituição das credenciais permite entrar no complexo da Casa Branca, mas a ordem não mencionou o Air Force One nem a participação no grupo restrito de jornalistas que acompanha o Presidente. A Casa Branca tem defendido que viajar no avião presidencial constitui um privilégio.
Não existe, nas decisões aqui referidas, uma determinação judicial específica de que a estação tem de ser admitida em cada voo.

O caso da Associated Press deixou outra disputa aberta
A distinção entre as credenciais e os espaços de acesso restrito já estava no centro do processo da Associated Press.
Em 2025, a agência contestou as limitações impostas depois de manter a designação «golfo do México» na sua informação, apesar da mudança de nome determinada por Trump para uso norte-americano.
Um tribunal de primeira instância ordenou o levantamento das restrições. Em junho, porém, um painel do tribunal de recurso suspendeu parcialmente essa decisão durante a tramitação do recurso. Em julho, o tribunal reunido em plenário recusou reconsiderar essa suspensão. Essa fase processual não resolveu o mérito do recurso.
Na carta agora descrita pela CNN, Boutrous contesta que aquela decisão provisória permita justificar a exclusão da estação.
A Casa Branca terá de explicar a exclusão
Segundo Boutrous, a CNN não recebeu uma notificação escrita nem uma explicação para ter ficado fora das viagens recentes. O Departamento de Justiça não respondeu ao pedido de comentário da estação até à publicação da notícia, na manhã de 20 de outubro.
A carta exige que a Administração abandone qualquer política de exclusão da CNN daqueles espaços e permita o cumprimento das suas funções na escala de cobertura. A presença da CNN no Air Force One permanece por resolver.
Fontes
Brian Stelter / CNN, 20 de outubro de 2026, republicação pela KVIA, sobre a carta de Boutrous e as exclusões recentes; fundamentação judicial de 13 de outubro de 2026 e respetiva ordem, disponíveis no Knight First Amendment Institute; decisão de 6 de junho de 2025 no caso AP e decisão de 22 de julho sobre a reapreciação em plenário.
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