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ANÁLISE

Escoltar o perigo

Em 1988, o USS Samuel B Roberts regressava de uma missão de escolta quando uma mina iraniana abriu um rombo de nove pés no seu casco. Quase quatro décadas depois, Washington calcula se consegue fazer o mesmo sem o mesmo resultado. O problema não é vontade política. É que os navios de guerra americanos têm casco simples — e os petroleiros que escoltam têm casco duplo. Em 1987, foi o petroleiro que sobreviveu intacto. Os destroyers ficaram atrás, protegidos pelo navio que deviam proteger.

A Barragem Como Arma Sem Gatilho

A barragem do Yarlung Tsangpo não é apenas um projeto energético: é uma infraestrutura com potencial de coerção regional. Ao controlar a montante um rio vital para a Índia e o Bangladesh, a China reforça uma assimetria estratégica que vai além da eletricidade e entra no domínio da pressão hídrica, da opacidade informativa e da vantagem geopolítica. A questão central não é só quanta energia Pequim produzirá, mas que margem de influência ganhará sobre os países a jusante.

O Silêncio que o Estado Não Ouve

No Palácio Nacional de Mafra, o maior conjunto sineiro do mundo ficou em silêncio quase vinte anos. O restauro chegou em 2020 e ficou pela metade — a torre norte ainda não toca. Uma análise sobre a relação portuguesa com a manutenção, os ofícios que desaparecem e o bronze que espera.

O Preço de Ser Exposto

Este ensaio propõe uma leitura estrutural da repressão à imprensa: os governos não gerem apenas informação, gerem o custo de serem expostos. Quando esse custo desce, a supressão da verdade torna-se politicamente racional.

O HOMEM QUE REVIU O DIAGNÓSTICO – Marquês de Lafayette

Em agosto de 1792, Lafayette atravessou a fronteira austríaca à espera de asilo. Os austríacos prenderam-no. Ficou cinco anos em Magdeburgo. A questão não é que tipo de homem resiste a isso — é o que ele viu, naquele momento específico, que os outros não viram. E por que razão conseguiu vê-lo.

A Guarda que é o regime: por que bombardear o Irão não muda o Irão

A IRGC controla mísseis, programa nuclear, milícias regionais e até metade da economia iraniana. Washington aposta que a pressão militar quebrará a Guarda ou a virará contra o regime. A história da organização — fundada para sobreviver exatamente a este tipo de pressão — sugere o contrário.

Sete Dias que Mudaram a Guerra

Uma semana após o início da guerra entre Estados Unidos, Israel e Irão, a campanha militar já alterou o equilíbrio do Médio Oriente, mas continua sem produzir uma solução política.

Quando Hollywood Perdeu o Controlo

Um filme recusado pelos distribuidores chegou a quatro mil salas porque uma comunidade online decidiu mobilizar-se. O caso Iron Lung revela como a autoridade cultural da indústria cinematográfica começa a deslocar-se para fora de Hollywood.

Erros estratégicos dos Estados Unidos

A maior potência militar da história continua a produzir decisões estratégicas cujas consequências contradizem as expectativas iniciais. Iraque, Afeganistão e Líbia revelam um paradoxo persistente: capacidade tecnológica esmagadora, mas dificuldade em converter poder militar em estabilidade política.

Noruega e a guerra invisível da comunicação militar

No espaço de poucos anos, o Ártico e o Atlântico Norte passaram de periferia geopolítica a uma das zonas mais sensíveis da segurança euro-atlântica. A nomeação do brigadeiro Christian Øverli como chefe de comunicações das Forças Armadas norueguesas revela uma transformação silenciosa: a guerra contemporânea já não se trava apenas com navios, aviões ou brigadas. Trava-se também no domínio da perceção pública, da narrativa estratégica e da gestão da informação num espaço cada vez mais militarizado.

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