O RapidRanger na Ucrânia já é utilizado contra drones russos, segundo o Ministério da Defesa ucraniano. A 2 de setembro de 2026, o 3.º Corpo do Exército divulgou imagens do 1030.º Regimento de Mísseis Antiaéreos e Artilharia «Aquila» a preparar o sistema para serviço de combate. O lançador estava montado num veículo blindado espanhol URO VAMTAC 4×4.
A divulgação identifica a unidade que opera o equipamento, mas não marca o início da sua utilização. Num comunicado de 21 de abril de 2026, o Ministério já descrevia o emprego do RapidRanger contra drones Shahed e Orlan-10. Trata-se de informação de uma das partes no conflito; o comunicado não apresenta uma série de resultados que permita calcular a taxa de sucesso das interceções.
Como funciona o RapidRanger na Ucrânia
O RapidRanger é um sistema de defesa aérea de curto alcance desenvolvido pela Thales UK. Segundo a descrição divulgada pela ArmyInform, o módulo lançador pesa menos de 500 quilos e pode ser instalado em plataformas sobre rodas ou lagartas. O lançador transporta quatro mísseis prontos a disparar. O Ministério da Defesa ucraniano descreve deteção de alvos até 15 quilómetros e interceção até 7 quilómetros. A ArmyInform, na notícia de setembro, atribui ao fabricante um alcance superior a 7 quilómetros e um tempo de reação inferior a cinco segundos. Os valores referem-se a descrições distintas e não demonstram, por si só, o desempenho da configuração ucraniana.
O lançador tem quatro posições de tiro e pode utilizar mísseis LMM Martlet. O sistema também pode utilizar mísseis Starstreak. O Martlet é a designação britânica do Lightweight Multirole Missile (LMM). O guiamento laser por acompanhamento do feixe exige que o sistema mantenha a linha de mira sobre o alvo durante o voo do míssil. O acompanhamento automático ajuda a cumprir essa tarefa.
Segundo o Ministério da Defesa ucraniano, o conjunto eletro-ótico do RapidRanger permite vigilância de 360 graus e dispõe de aquisição e acompanhamento automático de alvos. O sistema pode receber um sensor infravermelho panorâmico e radar. Pode funcionar autonomamente ou receber informação através de uma rede de comando e controlo.
No caso ucraniano, o lançador está instalado num VAMTAC, veículo tático espanhol com tração 4×4. O veículo pode receber diferentes módulos de armamento. No RapidRanger, transporta o lançador e os seus sensores numa plataforma móvel.

As encomendas e a reposição de mísseis
O Reino Unido anunciou em março de 2025 um acordo de 1,6 mil milhões de libras para fornecer mais de 5000 mísseis de defesa aérea à Ucrânia. Em julho, o Ministério da Defesa ucraniano especificou 5350 LMM e lançadores RapidRanger, a fornecer ao longo de cinco anos. A 12 de fevereiro de 2026, Londres anunciou mais 1000 LMM, num acordo de 390 milhões de libras. As encomendas não equivalem a entregas já concluídas.
Depois de utilizados os quatro mísseis prontos a disparar, o lançador precisa de ser recarregado. Numa frente extensa, isso implica transporte de munições, armazenamento, pessoal treinado e uma cadeia logística capaz de manter os veículos em posições avançadas.

Sistemas como Patriot, IRIS-T e NASAMS integram outras camadas da defesa aérea, com capacidades que dependem da versão e dos mísseis utilizados. No outro extremo estão grupos móveis que utilizam metralhadoras e outras armas para combater drones a curta distância. O RapidRanger na Ucrânia acrescenta uma capacidade móvel de interceção a curta distância. Pode utilizar os seus sensores eletro-óticos ou receber dados de outros elementos da rede.

O sistema escolhido por Portugal
Portugal escolheu igualmente o RapidRanger para a renovação da sua defesa antiaérea terrestre. O comunicado da Thales divulgado pela AICEP em novembro de 2024 confirma a contratação do sistema ForceShield através da NATO Support and Procurement Agency. A solução inclui lançadores RapidRanger, mísseis LMM e StarStreak, radar Ground Master 200, comunicações e comando e controlo.
O contrato português prevê uma arquitetura integrada, que reúne sensores, comunicações, comando e lançadores. A escolha do mesmo sistema de armas não significa que Portugal e a Ucrânia tenham a mesma configuração operacional. As fotografias do regimento ucraniano não revelam toda a rede em que os lançadores estão integrados.
A experiência do RapidRanger na Ucrânia interessa também aos países que estão a adquirir o sistema. Porém, os dados divulgados até agora não permitem transpor diretamente os resultados ucranianos para outras forças ou redes de defesa.
O 1030.º Regimento «Aquila» mostrou o sistema dentro de uma formação de combate identificada. Ainda não é pública a quantidade de RapidRanger entregue ao regimento, nem o volume de mísseis disponível para a unidade. As fontes oficiais consultadas também não fixam um calendário de produção local de LMM.
O anúncio britânico de fevereiro associa a cooperação industrial à transferência para a Ucrânia da produção e do apoio a lançadores RapidRanger e veículos de comando e controlo. Não confirma uma linha ucraniana de produção integral dos mísseis.
O emprego do RapidRanger na Ucrânia coloca uma questão que as especificações técnicas não resolvem: durante quanto tempo consegue uma unidade manter os lançadores disponíveis e abastecidos perante ataques repetidos? O número de veículos, as reservas de mísseis, a manutenção e a integração com outros sensores condicionam essa resposta.
A relação entre adaptação militar, drones e capacidade industrial é desenvolvida no dossiê Rússia em guerra: adaptação e defesa europeia. Sobre a cooperação industrial com Kiev, leia também O que poderá a Ucrânia fabricar do Storm Shadow.
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