A subida do preço do enxofre encarece a produção de ácido sulfúrico, utilizado na indústria do cobre e nos fertilizantes fosfatados. As empresas procuram absorver os custos ou adaptar a produção.
O enxofre obtido como subproduto da indústria do petróleo e do gás abastece atividades muito diferentes. Transformado em ácido sulfúrico, é utilizado na produção de cobre e de fertilizantes fosfatados. Uma perturbação no transporte pode afetar tanto a mineração como a agricultura.
As dificuldades de navegação no estreito de Ormuz provocaram escassez no abastecimento de enxofre. Em 2026, o preço do enxofre aproximou-se dos mil dólares por tonelada em alguns mercados, muito acima dos valores de 100 a 200 dólares observados antes da crise. A ICIS assinalava, em 13 de outubro, vendas canadianas na ordem dos 950 dólares por tonelada, com entrega em mercados importadores, embora já identificasse uma correção dos preços. As cotações variam com a origem, o destino e as condições de entrega.
Para os fabricantes de fertilizantes, a subida acrescenta custos à produção de adubos que os agricultores precisam de conseguir comprar. Na indústria mineira, o efeito varia: há operações que consomem ácido sulfúrico e outras que o produzem como subproduto.

Uma matéria-prima disputada por duas indústrias
O aumento do preço do enxofre chega aos fertilizantes através da produção de ácido sulfúrico.
Os fabricantes enfrentam um limite na transferência desse custo para os clientes. Nos resultados divulgados em setembro de 2026, a OCP, de Marrocos, um dos maiores produtores mundiais de fertilizantes fosfatados, assinalou os efeitos da subida do enxofre e a dificuldade de repercutir integralmente os custos nos agricultores, já sob pressão financeira.
A empresa procurou adaptar a produção, dando maior peso a fertilizantes que exigem menos enxofre, como já explicara no comunicado sobre o primeiro trimestre. Segundo informação recolhida pelo Médias24, estuda também fontes alternativas às provenientes da indústria do petróleo e do gás.
Alterar os produtos permite reduzir o consumo. A procura de outras fontes visa diversificar o abastecimento. Nenhuma das medidas anunciadas permite, por si só, determinar quanto material ficará disponível ou quando a pressão sobre os custos diminuirá.

O preço do cobre ajuda a suportar os custos
Na mineração, o encarecimento do ácido sulfúrico coincide com preços elevados do cobre, próximos dos máximos históricos atingidos em setembro. As receitas do metal podem ajudar a suportar matérias-primas mais caras.
A Antofagasta, com operações no Chile, apresentou em agosto um exemplo dessa combinação. A empresa indicou que a subida dos preços do ácido sulfúrico e do gasóleo tinha aumentado os seus custos. Ainda assim, o EBITDA do primeiro semestre aumentou 27% face ao mesmo período do ano anterior. Este indicador mede os resultados antes de juros, impostos, depreciações e amortizações; não corresponde ao lucro líquido.
A Antofagasta conseguiu aumentar o EBITDA apesar da pressão sobre os custos. A OCP descreveu dificuldades em transferir essa pressão para os compradores de fertilizantes.

Algumas operações utilizam ácido sulfúrico, enquanto a fundição de cobre pode produzi-lo como subproduto, através da recuperação dos gases do processo. Para quem o vende, o preço elevado pode representar uma receita adicional. O efeito depende do processo industrial e da posição de cada operação como consumidora ou produtora.
O que pode chegar à agricultura
A dificuldade de abastecimento começa no transporte de uma matéria-prima industrial, mas pode condicionar a oferta de fertilizantes. Se o enxofre escasseia ou fica demasiado caro, os fabricantes têm de decidir quanto conseguem produzir, que produtos fabricar e que custos conseguem suportar.
A OCP já procurou alterar a composição da sua produção. A resposta não se limita ao preço cobrado pelo mesmo adubo: pode mudar também o conjunto de fertilizantes disponibilizados.

O encarecimento do enxofre não permite calcular diretamente uma subida do preço das colheitas ou dos produtos vendidos ao consumidor. Entre essas etapas estão a produção e a compra dos adubos e a sua utilização pelos agricultores.
Em outubro de 2026, a pressão continuava visível no preço do enxofre e nas respostas dos fabricantes, apesar da correção de algumas cotações. A adaptação da OCP procurava reduzir a necessidade dessa matéria-prima sem transferir integralmente o aumento dos custos para os agricultores. A capacidade de manter a produção de fertilizantes dependerá também de conseguir assegurar o abastecimento enquanto persistirem as dificuldades em Ormuz.
Sobre as alternativas de transporte na região, leia também O maior contorno de Ormuz acaba no Mar Vermelho.
Fontes
USGS — Mineral Commodity Summaries 2026, capítulo sobre o enxofre; OCP — resultados do primeiro trimestre de 2026; Antofagasta — resultados do primeiro semestre, 13 de agosto de 2026; Antofagasta — relatório de produção do segundo trimestre; Médias24 — resultados da OCP, 29 de setembro de 2026; Médias24 — alternativas de abastecimento da OCP, 14 de junho de 2026; ICIS — mercado do enxofre, 13 de outubro de 2026; Kpler — fluxos de enxofre e ácido sulfúrico, 4 de junho de 2026; International Copper Association Australia — mercado do cobre, 2 de outubro de 2026.
Imagem de capa: Enxofre granulado utilizado no fabrico de fertilizantes, fotografado em junho de 2026. Imagem ilustrativa; não identifica uma instalação da OCP. Fotografia: TimBomBom1 / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0. Fonte · Licença.
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