Linha editorial: Arte · Portugal / Bragança · Exposição póstuma de Michel Bassompierre
A exposição de Michel Bassompierre em Bragança
Foi inaugurada ontem, em Bragança, a exposição “A Magia da Criação”, do escultor francês Michel Bassompierre. As peças ocupam também vários espaços públicos da cidade, transformando o centro histórico brigantino num percurso em que a escultura interrompe o quotidiano em vez de esperar por ele numa sala fechada.
A componente instalada no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais, instituição que celebra este ano dezoito anos de atividade, reúne mais de uma centena de peças, incluindo obras inéditas. A mostra junta obra artística assumida enquanto tal — peças desenvolvidas pelo escultor ao longo de todo o processo criativo, moldadas em barro e, nalguns casos, cozidas para perdurar no tempo, ou passadas para gesso — com peças de sentido mais pedagógico, que documentam o próprio processo de criação e de desenvolvimento das obras, algumas delas expostas pela primeira vez.
Michel Bassompierre morreu em Abril, aos 78 anos. A exposição tinha sido imaginada e preparada ainda com o escultor em vida, e ganhou, depois da sua morte, um significado que a intenção original não continha: tornou-se a primeira de uma série de homenagens que se prevê continuar, e é em Bragança, cidade com a qual a família do artista mantém uma ligação antiga, que essa primeira homenagem acontece. O urso, figura recorrente em toda a obra de Bassompierre, oferece ao escultor animalista um repertório quase infinito de posições e movimentos — deitado, de costas, de barriga para baixo, em pleno gesto de cambalhota.
A chegada da exposição a Bragança foi também associada a uma reflexão mais ampla sobre o papel do mecenato privado no apoio a espaços culturais que dependem, com frequência, quase inteiramente do Estado.
A exposição é composta por esculturas em bronze, mármore e alabastro, e é descrita como a “arca” da obra de Bassompierre — reunindo algumas das suas peças mais emblemáticas, entre elas “Le Miel Nº5” e “L’Empereur”, um pinguim de mármore esculpido em grande escala. Pela primeira vez, várias obras originais saem do ateliê do artista para serem mostradas ao público, revelando etapas do processo criativo que normalmente permanecem invisíveis mesmo para quem conhece a sua obra final.
A dimensão pública da exposição foi apresentada como um convite à descoberta da própria cidade, ao espalhar peças por pontos estratégicos e históricos do centro urbano. Uma delas, situada na Praça da Sé, tornou-se já ponto de paragem espontânea: quem passa fotografa-a, e muitos tocam-lhe para confirmar, com as próprias mãos, que aquilo que parece tão vivo é, de facto, bronze sólido.
Nascido em Paris em Março de 1948, Michel Bassompierre formou-se na Escola de Belas-Artes de Rouen, no ateliê do escultor René Leleu, onde consolidou o interesse pela observação anatómica rigorosa dos animais que viria a marcar toda a sua obra. A sua esculptura inscreve-se na linhagem de François Pompon, de quem herdou a recusa do pormenor anedótico em favor da forma essencial — os volumes arredondados, quase esféricos, que se tornaram a sua assinatura mais reconhecível. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Bassompierre recebeu distinções como o Prémio François Pompon e o Prémio Especial Evelyn e Peter Haller da Society of Animal Artists, e viu o seu trabalho instalado em cidades como Bruxelas, Mónaco, Paris e Nova Iorque, onde bronzes monumentais de vários metros de altura ocuparam, durante um ano, a Park Avenue. Colaborou também com instituições como a cristaleira Baccarat e o Zoo de Beauval, para quem preparava, nos últimos anos, uma escultura de panda.
Michel Bassompierre é considerado uma das principais figuras da escultura animalista contemporânea. A exposição “A Magia da Criação” pode ser visitada no Centro de Arte Contemporânea Graça Morais até 18 de Outubro, e nos vários espaços públicos de Bragança até Janeiro de 2027.
O essencial deste artigo
- Michel Bassompierre, escultor francês, morreu em Abril, aos 78 anos.
- A exposição “A Magia da Criação” foi planeada ainda em vida do artista.
- Mais de cem peças estão distribuídas pelo Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e por vários espaços públicos de Bragança.
- A mostra pode ser visitada até 18 de Outubro (centro de arte) e até Janeiro de 2027 (espaços públicos).
As esculturas de Michel Bassompierre estão distribuídas entre o Centro de Arte Contemporânea Graça Morais e vários pontos públicos do centro histórico de Bragança, incluindo a Praça da Sé.
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