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Revista
A Revista Arcana é uma revista digital de ensaios e humanidades.
Reúne textos longos, crónicas e leituras de fundo sobre cultura, literatura, filosofia e sociedade.
Não corre atrás do minuto: trabalha o sentido e a memória.
Um lugar onde a reflexão ainda encontra casa.
Fascismo, sem uniformes: o sistema a ceder
Durante anos evitou-se uma palavra considerada excessiva. Mas quando a pressão deixa de ser episódica e passa a estrutural, a prudência lexical empobrece a análise. Este texto observa o fascismo como modo de funcionamento contemporâneo: a adaptação das instituições, a legalidade seletiva e a organização do medo como instrumento de governação.
O poder que já não pede consenso
Durante décadas, governar implicou explicar. Hoje, em muitas democracias, implica avançar primeiro e discutir depois. A partir de uma cena judicial aparentemente banal, este ensaio analisa como a aceleração do poder deslocou o tempo da política, empurrou a deliberação para trás e transformou o consenso num detalhe opcional.
Como os Templários fizeram da disciplina uma arma de choque
Há palavras que, quando entram num campo de batalha, deixam de ser metáforas. “Bandeira”, por exemplo, não é pano, nem símbolo, nem decoração. É direção. É ponto de encontro. É limite. É ordem em movimento.
Quando a História se Torna um Jogo de Espelhos
Da literatura aos memes, da imagem à inteligência artificial, a História saiu dos arquivos e entrou num campo de disputa simbólica. O que está em risco não é apenas o passado, mas a possibilidade de uma memória comum.
China e os bebés CRISPR: o artigo oficial que celebrou e foi apagado
Há histórias que se contam pelo que fica impresso. Esta conta-se pelo que foi retirado. No caso dos bebés CRISPR na China, o instante decisivo não está apenas no ato de um cientista, mas no movimento institucional: publicar a celebração, apagar o carimbo, deixar a porta entreaberta.
Hong Kong: Segurança Nacional ou Sufoco?
Desde 2020, Hong Kong vive entre duas leituras inconciliáveis: a de Pequim, que vê na lei de segurança nacional uma correcção necessária contra a subversão, e a de quem a entende como mecanismo de intimidação, vagueza jurídica e autocensura. A questão já não é só o que a lei proíbe, mas o que a cidade passa a evitar.
A diplomacia já não começa em papel timbrado: nasce num ecrã, em posts e memes. China, Rússia e Turquia usam o confronto público para falar primeiro para dentro, fixar lealdades e testar a força das narrativas no mundo.
A Infantilização do Estado Americano
Chamou-lhes “kids” e, como se não bastasse, sublinhou que usavam sapatos oferecidos por si. Não é um detalhe de bastidores: é uma forma de tutela pública. Quando o Estado começa a andar com sapatos emprestados, a democracia anda em terreno instável.
O detalhe passou como curiosidade de bastidores. Mas chamar “kids” ao vice-presidente e ao secretário de Estado é uma forma de autoridade: diminui, enquadra, torna obediente. Quando isto acontece no Salão Oval, não é apenas linguagem — é regime.
Diplomacia em Público: a era dos “posts” como aviso
A diplomacia já não começa na sala fechada onde se pesa cada palavra. Começa num ecrã — post, vídeo curto, meme — e obriga o outro lado a responder no mesmo palco. Quando a agressão é premiada internamente, o que era desvio vira carreira. E recuar torna-se caro.


