O dólar não é apenas uma moeda. É a infraestrutura invisível da ordem económica internacional. Este dossiê acompanha a crise do privilégio monetário americano, da arquitetura dos desequilíbrios globais à sequência jurídica das tarifas de Trump.
A Section 301 é o último instrumento tarifário com base legal disponível. Investigações que cobrem 99 por cento das importações americanas, num calendário declaradamente sincronizado com a expiração da Section 122, colocam a administração numa posição em que as suas próprias declarações públicas são a evidência mais relevante para os tribunais.
O Supremo derrubou as tarifas IEEPA. O Tribunal de Comércio Internacional derrubou a Section 122. A Section 301 já está em curso. Cada instrumento bloqueado é substituído antes que o anterior caia — e os efeitos económicos acumulam-se independentemente do que os tribunais decidem.
A crise de Ormuz mostra como energia, guerra, seguros marítimos e circulação global continuam dependentes de um corredor físico estreito no Golfo Pérsico.
O sistema financeiro internacional que beneficia os Estados Unidos só funciona porque Washington aceita um custo estrutural que nenhum outro país suportaria. A decisão de recusar esse custo — sem abdicar do privilégio — é uma impossibilidade aritmética. Este texto analisa o mecanismo, o argumento jurídico que o encobre e o que vigiar a seguir.
Taiwan tornou-se uma peça militar, tecnológica e económica da rivalidade entre os Estados Unidos e a China. Este dossiê organiza os artigos, documentos, atores e sinais a vigiar.
A inteligência artificial parece viver nos modelos, nos assistentes e no software. Mas a sua expansão real depende de fábricas, chips, embalagem avançada e cadeias de fornecimento. O investimento da AMD em Taiwan mostra onde se fabrica a próxima fase da computação.
Organizações de proteção infantil pressionam Google e YouTube por regras sobre vídeos infantis gerados por IA. O risco não está apenas na produção desses conteúdos, mas na forma como são recomendados a crianças. A proteção de menores depende de rotulagem, controlo parental e limites à amplificação automática.
Um ataque destrutivo contra uma tecnológica começou como discussão técnica. Em poucas horas, a conversa foi puxada para uma leitura geopolítica. A crise deixou de ser apenas sobre sistemas e passou a disputar significado público.
Os desequilíbrios globais não são uma falha acidental da ordem financeira internacional. São o mecanismo que permitiu ao dólar sustentar défices, excedentes e dependências cruzadas. O risco começa quando o centro do sistema deixa de querer pagar o preço político da sua própria arquitetura.