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GEOPOLÍTICA E PODER

O Pentágono prepara a invasão e Islamabade tenta evitá-la

A questão não é se os EUA conseguem invadir. É o que acontece depois.

A Arte de Telefonar

O Paquistão tem o FMI à porta, um exército que governa por baixo do governo e uma fronteira de novecentos quilómetros com o Irão. Em março de 2025, era também o país que Washington e Teerão usavam como câmara de compensação. Não apesar da fragilidade — por causa dela. Os melhores mediadores são os que têm mais a perder se a crise escalar.

Qatar – O PREÇO DA NEUTRALIDADE

O emir do Qatar ligou duas vezes a Trump nos primeiros dias da guerra. Pediu diplomacia. Alertou para uma escalada perigosa. Era o que Doha sempre fez — colocar-se no meio, falar com todos, transformar a sua pequenez geográfica em indispensabilidade política. Trump tinha garantido a segurança territorial do Qatar por ordem executiva. Depois o Irão atacou Ras Laffan, a maior instalação de gás natural liquefeito do mundo e o argumento inteiro da estratégia qatari. O modelo que durante décadas tornou o Qatar indispensável revelou-se, no momento decisivo, insuficiente para o proteger.

Escoltar o perigo

Em 1988, o USS Samuel B Roberts regressava de uma missão de escolta quando uma mina iraniana abriu um rombo de nove pés no seu casco. Quase quatro décadas depois, Washington calcula se consegue fazer o mesmo sem o mesmo resultado. O problema não é vontade política. É que os navios de guerra americanos têm casco simples — e os petroleiros que escoltam têm casco duplo. Em 1987, foi o petroleiro que sobreviveu intacto. Os destroyers ficaram atrás, protegidos pelo navio que deviam proteger.

Ormuz: quando a força não produz desfecho – DESPACHO

Os Estados Unidos mantêm superioridade militar, mas não conseguem transformar essa vantagem em controlo político do conflito. No Estreito de Ormuz, o Irão não precisa de vencer em campo aberto — basta-lhe impedir a normalidade, pressionar os mercados e prolongar a fricção entre força e desfecho. É nessa assimetria que a guerra se torna mais reveladora: Washington consegue golpear, mas ainda não demonstrou que sabe fechar.

Guerra EUA–Irão: força militar máxima, coerência mínima

Os Estados Unidos continuam a intensificar ataques enquanto afirmam estar próximos do fim da guerra, mas não conseguem controlar o seu ponto crítico: o Estreito de Ormuz. O Irão não precisa de vencer militarmente — basta-lhe manter a perturbação suficiente para impedir a normalidade. Essa tensão entre força e desfecho transforma o conflito numa guerra aberta, sem solução clara à vista.

O Irão não é um dossiê técnico

Há uma forma específica de falhar que parece vitória. Ao longo de sete décadas, os Estados Unidos trataram o Irão como um problema técnico a resolver — destruindo capacidades, impondo pressão, celebrando resultados imediatos — sem responder à única pergunta que importa: o que vem a seguir. O resultado foi sempre o mesmo: cada sucesso tático abriu espaço a um problema estratégico maior.

A Barragem Como Arma Sem Gatilho

A barragem do Yarlung Tsangpo não é apenas um projeto energético: é uma infraestrutura com potencial de coerção regional. Ao controlar a montante um rio vital para a Índia e o Bangladesh, a China reforça uma assimetria estratégica que vai além da eletricidade e entra no domínio da pressão hídrica, da opacidade informativa e da vantagem geopolítica. A questão central não é só quanta energia Pequim produzirá, mas que margem de influência ganhará sobre os países a jusante.

A Gronelândia Não É Sobre a Gronelândia

A retórica de Trump sobre a soberania da Gronelândia não é, sobretudo, uma doutrina de defesa: é uma posição maximalista destinada a obter concessões que o tratado de 1951 não garante automaticamente. Em causa estão minerais críticos, presença militar alargada e margem negocial sobre uma ilha cuja trajetória política pode afastá-la de Copenhaga. A questão central não é se Washington conseguirá “obter” a Gronelândia, mas se conseguirá reconfigurar a relação com ela em termos estrategicamente mais favoráveis.

O satélite como instrumento de Estado

A Planet Labs não fez apenas uma escolha operacional: consolidou um precedente. Ao atrasar o acesso público a imagens do Médio Oriente, mostrou como empresas privadas de observação terrestre podem regular, em alinhamento prático com Estados, o arquivo visual da guerra. O problema não é só a segurança operacional. É a possibilidade de o registo verificável dos conflitos passar a depender de atores privados sem supervisão pública proporcional ao poder que exercem.

Leitura Essencial

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