Robert D. Kaplan: guerra por Taiwan pode desagregar o mundo

Em entrevista escrita ao Arcana News, Robert D. Kaplan fala sobre Taiwan, o peso permanente da geografia, a ascensão do Sudeste Asiático, o maior erro estratégico que os Estados Unidos podem cometer e a instabilidade de um mundo marcado pelo declínio imperial.

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Robert D. Kaplan sobre Taiwan, geografia e declínio imperial

A transformação geopolítica mais decisiva dos próximos vinte anos poderá ser uma que nunca aconteça.

Em entrevista escrita ao Arcana News, Robert D. Kaplan defende que evitar uma guerra entre os Estados Unidos e a China por Taiwan e pelo Mar do Sul da China poderá ser determinante para a estabilidade da ordem internacional. Um conflito por Taiwan, adverte, poderia desagregar o mundo de uma forma comparável à Primeira Guerra Mundial.

Em cinco respostas concisas, Kaplan regressa também a um dos temas centrais do seu trabalho: a geografia nunca deixou de moldar o poder. Aponta o Sudeste Asiático como um possível futuro centro da economia e da geopolítica mundiais, defende que os Estados Unidos devem concentrar-se em limitar o poder da China e da Rússia, em vez de dissiparem a sua força em guerras no Médio Oriente, e rejeita a ideia de que a história tenha, de algum modo, «regressado».

Arcana News — Que transformação geopolítica acredita que mais moldará os próximos vinte anos?

Robert D. Kaplan — A transformação geopolítica mais importante não é algo que irá acontecer, mas algo que poderá não acontecer. Se não houver uma guerra entre os Estados Unidos e a China por Taiwan e pelo Mar do Sul da China, o nosso mundo, apesar de todas as vicissitudes, não entrará em colapso. Uma guerra por Taiwan poderia desagregar o nosso mundo como a Primeira Guerra Mundial.

Arcana News — A geografia voltou a tornar-se mais importante na política internacional?

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Robert D. Kaplan — A geografia sempre foi e será sempre absolutamente crucial para a geopolítica. Se Portugal não estivesse localizado onde está, seria um país completamente diferente. Se o estreito de Taiwan tivesse apenas a largura do Canal da Mancha, a China tê-lo-ia conquistado há décadas. E assim por diante.

Arcana News — Que região do mundo acredita estar atualmente a receber muito menos atenção estratégica do que merece?

Robert D. Kaplan — O Sudeste Asiático, que poderá tornar-se o centro económico e geopolítico do mundo. É a parte mais dinâmica do mundo.

Arcana News — Qual é o maior erro estratégico que os Estados Unidos poderiam cometer na atual desordem internacional?

Robert D. Kaplan — Os Estados Unidos deveriam concentrar-se em limitar o poder da China e da Rússia e não dissipar o seu poder em guerras no Médio Oriente.

Arcana News — O que devem os leitores compreender sobre a relação entre declínio imperial, instabilidade e o regresso da história?

Robert D. Kaplan — A história não regressou. Sempre existiu e sempre existirá. O declínio imperial prenuncia um mundo menos estável e mais caótico. Os impérios, por muito odiados que sejam pelos intelectuais, têm sido, em geral, uma força estabilizadora.

Entrevista realizada por escrito. Tradução editorial: Arcana News.

Sobre Robert D. Kaplan

ROBERT D. KAPLAN é autor de vinte e quatro livros de grande sucesso sobre política internacional e viagens, traduzidos em numerosas línguas, entre os quais China Whisperers, Waste Land, The Loom of Time, The Tragic Mind, The Revenge of Geography, Asia’s Cauldron, The Coming Anarchy e Balkan Ghosts. Durante três décadas, escreveu sobre assuntos internacionais para The Atlantic. É professor sénior na Universidade do Texas em Austin. Foi membro do Conselho de Política de Defesa do Pentágono e do Painel Executivo da Marinha dos Estados Unidos. A revista Foreign Policy incluiu-o por duas vezes entre os «100 Maiores Pensadores Globais» do mundo.

Crédito da fotografia: John Stanmeyer

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