Portugal deve avaliar os investimentos energéticos pela dependência que reduzem e pela proteção que oferecem a famílias e empresas perante novos choques externos.
Portugal tinha, em 2025, uma dependência energética de 64,9%. No mesmo ano, as renováveis terão representado 65,6% do consumo bruto de eletricidade, segundo os dados provisórios da Direção-Geral de Energia e Geologia. O segundo indicador refere-se à eletricidade; o primeiro abrange o conjunto da energia.
A segurança energética deve ser um critério explícito de avaliação do investimento público. Cada programa relevante deve indicar quanto consumo de energia importada permite evitar, em que prazo e com que custo.
Que investimentos deve Portugal privilegiar para reduzir a necessidade de combustíveis importados sem deixar para trás as famílias que não conseguem financiar a mudança?
A crise no Golfo torna esta escolha mais urgente. Na sua previsão de outubro, a agência norte-americana de informação energética, EIA, continuava a identificar restrições nas rotas de exportação e riscos de volatilidade associados tanto ao estreito de Ormuz como aos percursos alternativos.

Diversificar os fornecedores e as rotas pode melhorar a possibilidade de receber o combustível contratado sem eliminar a exposição ao preço.
Os preços do petróleo dependem da oferta e da procura internacionais. A EIA assinala também que a produção e o consumo têm pouca capacidade de adaptação imediata: novas fontes de abastecimento exigem tempo e os equipamentos que utilizam combustíveis não são substituídos de um dia para o outro. Uma quebra da oferta pode exigir uma variação acentuada dos preços até o mercado encontrar outro equilíbrio.
É necessário avaliar quanto combustível continua a ser indispensável ao funcionamento dos transportes, dos edifícios e das empresas, e que alternativas podem reduzir essa necessidade.

Defendemos três prioridades: a eficiência energética com resultados verificáveis, a eletrificação onde seja tecnicamente adequada e a expansão dos transportes coletivos onde possam oferecer uma alternativa útil. A escolha entre projetos deve considerar o investimento necessário, a redução efetiva do consumo e o acesso das pessoas aos benefícios.

Uma família sem capacidade para substituir um equipamento ou melhorar a habitação não deve ficar limitada a suportar o custo de uma transição que apenas os restantes conseguem fazer. Os apoios públicos devem dirigir-se também a essa dificuldade. A avaliação social precisa de entrar no desenho dos programas, antes de ser necessária uma compensação de emergência.
As medidas temporárias sobre os preços podem justificar-se perante uma subida abrupta. Devem ter destinatários claros, duração definida e custo conhecido.

A Europa tem igualmente uma responsabilidade na proteção da navegação e na procura de soluções diplomáticas. Essas tarefas devem acompanhar uma política de redução da exposição energética. Seria insuficiente mobilizar recursos para manter o abastecimento e adiar continuamente os investimentos que permitem precisar de menos combustível.
Portugal deve publicar, com cada grande programa energético, uma estimativa da dependência evitada e verificar depois se a cumpriu. É um critério concreto para escolher projetos, corrigir falhas e prestar contas.
Imagem de capa: Central solar fotovoltaica de Amareleja, no concelho de Moura, em março de 2012. Fotografia de arquivo: Vitor Oliveira / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0. Sem alterações de conteúdo; imagem redimensionada.
Funcionalidade Google
Fontes preferidas disponíveis em Portugal.
A nova opção permite selecionar publicações para surgirem com maior frequência em pesquisas noticiosas relevantes.



Comentar como Convidado