Um incidente com minas feriu três soldados sul-coreanos na fronteira das Coreias, em 21 de setembro de 2026. Seul diz que foram colocadas de propósito pelo Norte, Pyongyang nega, e a linha que separa os dois lados conserva cerca de 200 dos 1.300 marcos originais.
A fronteira das Coreias conserva cerca de 200 marcos
A zona desmilitarizada tem cerca de 4 quilómetros de largura. O armistício de 1953 pôs fim às hostilidades sem encerrar a guerra, e os dois Estados continuam tecnicamente em guerra. A linha de demarcação foi assinalada nessa altura com 1.292 marcos, cerca de 1.300. A degradação e as alterações do terreno deixaram apenas cerca de 200 identificáveis.
Na fronteira das Coreias, com tão poucos marcos, a Coreia do Sul, a Coreia do Norte e o Comando das Nações Unidas têm dificuldade em determinar a posição exata das tropas. O Comando faz cumprir o armistício. Na zona e nas suas proximidades subsistem, segundo as estimativas, mais de um milhão de minas, incluindo engenhos antigos. Localizá-las é cada vez mais difícil.

Um reforço desde 2024
Segundo o exército sul-coreano, a Coreia do Norte começou a fortificar a fronteira das Coreias em abril de 2024 e mobilizou até 7.000 militares por dia para esses trabalhos em 2026. O mesmo exército registou nove transposições da linha por militares norte-coreanos em 2024, 17 em 2025 e mais de 50 em 2026. O que aumentou mais de cinco vezes foi o número de ocorrências, não necessariamente o de militares envolvidos.
A outra fronteira
A maioria dos desertores norte-coreanos fugiu historicamente para a China. No início da pandemia de covid-19, a Coreia do Norte montou na fronteira com esse país novas vedações de arame farpado, torres de vigia e ordens de abrir fogo, medidas documentadas pela Human Rights Watch. O comércio informal travou e as deserções desceram para mínimos históricos.
O número de desertores que se instalaram na Coreia do Sul passou de mais de mil em 2019 para 223 em 2025. Muitos dos que chegam agora já viviam fora do país havia anos, porque os controlos praticamente travaram as fugas diretas. Há quem recorra a rotas mais perigosas, como atravessar a fronteira das Coreias pela zona desmilitarizada a correr ou chegar a nado pela fronteira marítima.
As vedações junto à China e a queda das deserções surgem na mesma altura, e o reforço da fronteira sul só vem depois.
O incidente das minas
Responsáveis em Seul afirmaram inicialmente que as minas que feriram três soldados sul-coreanos na parte ocidental da zona desmilitarizada, na fronteira das Coreias, foram quase certamente colocadas de propósito pela Coreia do Norte. A 5 de outubro, o exército sul-coreano apresentou essa responsabilidade como a conclusão da investigação. Pyongyang negou responsabilidade e classificou a declaração de Seul como uma farsa. O Comando das Nações Unidas declarou que a presença de outra mina norte-coreana encontrada a sul da linha, durante a investigação, constituiu uma violação do armistício.
O exército sul-coreano disse também que podem subsistir centenas de minas norte-coreanas a sul da linha. Colocar uma mina de propósito e ter uma mina antiga no terreno não implica a mesma responsabilidade. Neste caso, Seul sustenta a primeira hipótese.
Sem canal de conversa
Seul propôs conversações a Pyongyang para esclarecer a demarcação na fronteira das Coreias. A clarificação da linha e a prevenção de incidentes pertencem aos assuntos que podem ser negociados antes da desnuclearização. Kim Yo Jong, irmã de Kim Jong Un, declarou que Pyongyang nunca se sentará frente a frente com Seul.
A recusa mantém-se apesar de Seul ter deixado de exigir o desarmamento nuclear antes do diálogo.
Três soldados ficaram feridos. Seul e Pyongyang descrevem o caso de maneiras opostas. Continuam em disputa a responsabilidade pela colocação das minas, quantas subsistem a sul da linha e por onde passa, com exatidão, a fronteira das Coreias.
Fontes: The Wall Street Journal; SBS, dados do exército sul-coreano; Yonhap / The Korea Times; Associated Press.
Fotografias de domínio público provenientes do DVIDS. A utilização de imagens militares oficiais não implica o apoio do Departamento de Defesa dos Estados Unidos ao Arcana News.
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