Em 2010, a China interrompeu silenciosamente o fornecimento de terras raras ao Japão após uma disputa diplomática. O embargo nunca foi anunciado, mas funcionou — e revelou como o controlo de minerais críticos pode ser convertido em poder político sem confronto militar.
Entre 1898 e 2026, Tóquio reaparece como porto de fuga chinesa: primeiro para salvar a vida, agora para salvar a conversa. Livrarias, clubes e encontros reconstroem um espaço público que desapareceu no continente — e perguntam, em voz alta, o que já não se pode perguntar em casa.
Baotou, no norte da China, tornou-se o coração da indústria global de terras raras ao absorver custos ambientais que o Ocidente evitou. A cidade ajuda a explicar por que razão Pequim domina hoje as cadeias de abastecimento críticas — e por que alternativas fora da China são politicamente difíceis.
Quando a General Motors vendeu a Magnequench, a decisão parecia racional. Duas décadas depois, é vista como um dos momentos-chave que ajudaram a deslocar para a China o controlo dos ímanes de terras raras — o elo crítico da indústria moderna.
O Japão está a cumprir um plano plurianual para aproximar a despesa de defesa dos 2% do PIB, num ambiente regional mais competitivo. A estratégia de 2022 colocou a China como principal desafio e abriu espaço para capacidades de alcance maior, incluindo mísseis “standoff”. A tensão cresce com operações chinesas no Pacífico e com o dossiê Taiwan, sensível para Tóquio pela proximidade geográfica e pela proteção de rotas. A aposta em drones responde também a limitações demográficas e de efetivos.
Pequim aprovou a revisão da lei de comércio externo, em vigor a 1 de Março de 2026, reforçando instrumentos jurídicos para responder a pressões e restrições.
O Pentágono descreve uma China que testa opções para Taiwan, acelera a marinha e expande poder para lá do continente. Washington responde com armas, diplomacia e uma ambiguidade cada vez mais difícil de sustentar.
Pequim anuncia uma viragem histórica: o consumo doméstico passa para o centro da política económica. Mas a crise imobiliária, a dívida dos governos locais e o controlo do Partido limitam o alcance real deste novo rumo.
A partir das dinastias Tang e Song, e depois com mais força sob os Yuan e os primeiros Ming, a chamada “Rota Marítima da Seda” transforma o mapa. Portos como Guangzhou e, mais tarde, Quanzhou tornam-se nós globais onde se cruzam mercadores árabes, persas, indianos, judeus e chineses.
Líderes chineses concluíram na quinta-feira a Conferência Central de Trabalho Económico com a promessa de apoio ao consumo e rendimento das famílias. As Autoridades reconhecem queda no investimento e comprometem-se a usar mais estímulo fiscal enquanto mantêm controlo apertado sobre endividamento local.