Como se chega a um túnel soterrado no Nepal

Dois homens saíram com vida de um túnel soterrado no Nepal após nove dias. Mapas, explosivos e helicópteros permitiram às equipas abrir caminho.

Economia

Luís Avelar
Luís Avelarhttps://www.arcananews.com/
Luís Avelar é autor no Arcana News. A História e as dinâmicas do poder estão entre os seus principais interesses, a par das mudanças sociais e da política internacional. Escreve sobre os acontecimentos e as relações que ajudam a compreender como chegámos ao presente.
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Os dois homens que saíram com vida de um túnel soterrado no Nepal, a 4 de setembro de 2026, tiveram de esperar nove dias até que as equipas conseguissem abrir uma passagem. No projeto hidroelétrico Trishuli 3A, o problema começava à superfície: a cheia de 26 de agosto tinha apagado as referências que permitiam saber onde escavar.

Sanjay Sah, encarregado de mecânica, e Kabir Maharjan, supervisor da mesma área, foram retirados pelo exército nepalês e transportados de helicóptero para receber tratamento em Kathmandu. Na mesma operação, foi recuperado o corpo de outro trabalhador.

Encontrar o túnel soterrado no Nepal

Antes de as máquinas avançarem, engenheiros e topógrafos tiveram de reconstruir a localização das instalações a partir de mapas e plantas. Procuravam chegar ao espaço subterrâneo da central, onde poderia haver trabalhadores ainda vivos. A massa de lama e detritos à superfície tornava insuficiente olhar para o terreno.

A operação dependia também de uma segunda decisão: por onde entrar. Abrir caminho implicava retirar material acumulado e vencer obstáculos sem comprometer a segurança de quem pudesse estar do outro lado.

Vista do rio Trishuli junto de Devghat, com margens arborizadas
Rio Trishuli junto de Devghat, em abril de 2014. Fotografia de contexto, anterior à cheia. © Rajivkilanashrestha / Wikimedia Commons — CC BY-SA 3.0. Original · Licença.

Máquinas, explosivos e peças por helicóptero

Na segunda-feira anterior ao resgate, o porta-voz do exército, brigadeiro-general Raja Ram Basnet, tinha anunciado uma explosão controlada. Escavadoras removiam lama e entulho a cerca de nove metros de profundidade. Na sexta-feira, o dispositivo reunia 75 militares e aproximadamente 18 elementos paramilitares.

Chegar à instalação exigia ainda manter as máquinas a funcionar num local de acesso difícil. Segundo Madan Timsina, administrador-delegado adjunto da Autoridade de Eletricidade do Nepal, quase todo o equipamento de escavação teve de ser transportado de Kathmandu por via aérea. Quando surgiam avarias, as peças sobresselentes faziam também a viagem de helicóptero.

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Helicóptero do exército nepalês em Kathmandu, numa fotografia de 2015
Helicóptero do exército nepalês em Kathmandu, em abril de 2015. Fotografia de arquivo; não retrata o resgate de setembro de 2026. © mohigan / Wikimedia Commons — CC BY-SA 3.0. Original · Licença.

Dois sobreviventes, muitas famílias sem resposta

O resgate confirmou que era possível sobreviver durante vários dias no interior da estrutura. Não esclareceu, porém, o destino dos restantes trabalhadores. O balanço citado por Timsina apontava então para cerca de 42 desaparecidos num grupo de aproximadamente 60 pessoas ligado ao projeto.

Shri Ram Neupane, deputado e engenheiro de túneis envolvido nas operações, afirmou naquele dia que as buscas continuavam por outros trabalhadores que se julgava estarem presos no mesmo túnel.

Os números disponíveis à data da notícia davam conta de mais de 1250 mortos e mais de 5000 desaparecidos no desastre, incluindo centenas de trabalhadores de projetos hidroelétricos. São balanços daquela fase das operações, não uma atualização da situação atual.

A dependência de instalações subterrâneas e de acessos de montanha marcou esta operação de emergência. No Arcana News, acompanhe outros temas de Geopolítica e Poder.

Fotografia de capa: rio Trishuli, em Gorkha, em janeiro de 2015; imagem de contexto anterior à cheia. © Bibek Kumar Sah / Wikimedia Commons, CC BY-SA 4.0.

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