Um anúncio pode servir para entregar software de espionagem sem qualquer interação do utilizador. Investigações publicadas em outubro identificaram o mecanismo e registaram a circulação de anúncios da empresa envolvida em Portugal.
A espionagem por anúncios pode começar quando uma página carrega publicidade, sem que o utilizador lhe toque. O Citizen Lab, da Universidade de Toronto, documentou esse método numa investigação publicada em 15 de outubro de 2026. Os investigadores associaram, com elevado grau de confiança, a infeção de dispositivos da Al Jazeera à distribuição de software de espionagem da Candiru através de anúncios comprados pela empresa israelita Discover-Tech. Chamaram AdFection à técnica.
Como pode um anúncio abrir caminho à espionagem sem um clique, e o que demonstram os dados relativos a Portugal?
Como o anúncio chega ao dispositivo
Parte da publicidade digital é vendida em leilões automáticos em tempo real.
Cada apresentação individual, designada por impressão, pode ser objeto de uma licitação.

A transação pode transportar informação sobre o contexto em que o anúncio será mostrado. Na documentação da Google para compradores autorizados, estão previstos campos relativos ao navegador, ao sistema operativo, ao modelo do aparelho, à localização e a identificadores publicitários. A disponibilidade desses dados varia com o dispositivo, as configurações e os controlos de privacidade.
Um comprador consegue procurar oportunidades de apresentar publicidade a determinados dispositivos. Reconhecer um aparelho numa nova oportunidade publicitária permite voltar a alcançá-lo. A documentação prevê também identificadores fornecidos pelo próprio editor para determinados usos publicitários.
O anúncio contém elementos que o navegador processa. Na análise técnica publicada pela Confiant, o código associado à Discover-Tech recolhia características do dispositivo e contactava uma infraestrutura remota. O operador podia decidir que instruções enviar depois dessa avaliação. A empresa descreve mecanismos de ocultação e de seleção que dificultavam a observação da atividade maliciosa.
Espionagem por anúncios: o que foi demonstrado

Na Al Jazeera, o Citizen Lab analisou registos de rede e uma amostra de software retirada de um dispositivo comprometido. Identificou uma sequência de contactos entre a infraestrutura publicitária, os servidores de validação e os servidores de comando associados à Candiru. Pelo menos 45 dispositivos foram alvo dos ataques em 2024 e 2025.
A Confiant examinou a preparação e a entrega do código, mas declarou não ter capturado uma cadeia completa de exploração em funcionamento. Uma investigação acompanha o percurso publicitário; a outra parte de elementos recolhidos numa organização atingida.
Portugal aparece nos dados da Confiant. Entre 1 de abril e 10 de setembro de 2026, os anúncios da Discover-Tech representaram 0,8% das impressões observadas pela empresa em dispositivos Android no país. O valor refere-se apenas ao conjunto monitorizado e não mede a totalidade da publicidade portuguesa. A circulação desses anúncios, por si só, não demonstra infeções em Portugal.

A proteção começa antes de o anúncio aparecer
Para uma organização, estas descobertas justificam examinar os conteúdos externos que chegam aos equipamentos de trabalho. O Citizen Lab recomenda bloquear a publicidade direcionada à entrada das redes e procurar sinais de pedidos maliciosos associados às impressões publicitárias. A Google comunicou aos investigadores que retirou à Discover-Tech o acesso às suas plataformas de leilão.

A Apple disponibiliza o Modo de bloqueio para pessoas expostas a ataques particularmente sofisticados. Algumas páginas podem funcionar pior ou perder funcionalidades. A empresa apresenta-o como uma proteção excecional, destinada a um grupo reduzido de utilizadores.
Num ataque de espionagem por anúncios que dispensa interação, formar os trabalhadores para reconhecerem mensagens fraudulentas cobre apenas parte do risco. A configuração do navegador, os serviços publicitários autorizados e o conteúdo que a rede aceita carregar passam a integrar a proteção do posto de trabalho, antes de qualquer decisão de clicar.
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Funcionalidade Google
Fontes preferidas disponíveis em Portugal.
A nova opção permite selecionar publicações para surgirem com maior frequência em pesquisas noticiosas relevantes.



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