As transportadoras estão a encomendar mais porta-contentores. A capacidade de cada navio, os portos que pode utilizar e as alianças ajudam a perceber o alcance dessa expansão no transporte marítimo.
Ao anunciar a encomenda de oito navios de 366 metros, em fevereiro de 2026, a Maersk destacou a possibilidade de os utilizar em diferentes partes da sua rede. A empresa apresentou essa escolha como uma forma de conservar maior flexibilidade do que teria com os maiores porta-contentores em construção.
Os maiores navios de transporte de contentores têm cerca de 400 metros de comprimento e não conseguem atracar em todos os portos. Comprar um navio com mais capacidade exige considerar onde poderá operar. A dimensão que permite transportar mais carga numa viagem também pode restringir as opções de utilização.
A Maersk voltou a ampliar as encomendas em setembro, com 26 navios com uma capacidade nominal de 18 600 TEU cada, unidades equivalentes a contentores de 20 pés. Segundo os dados da Alphaliner citados pelo Financial Times em 9 de outubro, a empresa tinha 131 navios encomendados. A entrega desse novo conjunto de 26 unidades está prevista para 2029 e 2030.
Entre a decisão de comprar e a entrada em serviço decorrem vários anos. Durante esse intervalo, a transportadora continua a operar com a frota disponível e com os acordos que lhe permitem utilizar a capacidade de outras empresas.

A dimensão do navio e o alcance da rede
No anúncio de fevereiro, a Maersk associou os navios de 366 metros a várias opções de utilização nas suas redes atuais e futuras. O interesse estava na possibilidade de os distribuir por diferentes serviços.
A CMA CGM tem seguido também uma estratégia de aquisição de navios de grande capacidade. Dez das suas novas unidades têm uma capacidade nominal de 24 212 TEU cada. Entre elas está o Notre Dame, entregue em maio, com cerca de 400 metros e propulsionado a gás natural liquefeito.
As transportadoras utilizam também alianças de partilha de navios para oferecer ligações e escalas que não conseguiriam assegurar apenas com a própria frota.

O papel das alianças na expansão
A CMA CGM participa na Ocean Alliance com a chinesa Cosco, a taiwanesa Evergreen e a OOCL, de Hong Kong. O acordo foi prorrogado até 2032. A empresa francesa está a aumentar a frota antes dessa data.
A Maersk mantém uma cooperação operacional com a Hapag-Lloyd, a Gemini Cooperation. Esta última acordou a aquisição da israelita Zim por 4,2 mil milhões de dólares, numa operação que continua dependente das aprovações necessárias e que, se concluída, elevará a frota combinada a mais de 400 navios.
Uma via depende da conclusão da aquisição; a outra, da construção e entrega das unidades.
No mesmo levantamento da Alphaliner citado no início de outubro, a CMA CGM tinha 160 navios encomendados e a Cosco contava com 155. No caso da Cosco, a capacidade encomendada equivalia a cerca de 52% da capacidade da frota em serviço. A percentagem refere-se à capacidade de transporte, não ao número de navios.

Encomendar capacidade para vários anos
A Maersk passou grande parte da última década a desenvolver a sua atividade logística entre a fábrica e o consumidor. A nova série de encomendas reforça agora os meios de transporte marítimo, num período em que outras grandes companhias também estão a ampliar as frotas.
As perturbações no comércio e nas rotas marítimas aumentaram as distâncias percorridas e os preços cobrados pelo transporte. Os riscos das rotas alternativas também são visíveis no contorno de Ormuz pelo Mar Vermelho. As empresas utilizaram parte dos lucros obtidos nesse período para comprar navios. A disponibilidade de capital permitiu assumir compromissos de construção que só se traduzirão em capacidade operacional nos anos seguintes.
Quando se soma a capacidade da frota em serviço à das encomendas, a CMA CGM ultrapassa a Maersk no levantamento citado. A comparação é feita em TEU, a unidade utilizada pela Alphaliner para ordenar as transportadoras, e não pelo número de navios. Essa soma não corresponde à capacidade já disponível.

As 26 unidades encomendadas pela Maersk em setembro deverão começar a chegar em 2029 e terminar as entregas em 2030. Quando entrarem em serviço, a empresa terá de as distribuir por uma rede de portos e ligações, articulando-as com os restantes navios e com os acordos de partilha em vigor.
Imagem de capa: Maersk Bahamas à saída de Roterdão, em setembro de 2025. Fotografia de arquivo: Alf van Beem / Wikimedia Commons, CC0 1.0. Fonte · Licença.
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