Abelardo de la Espriella venceu o segundo turno colombiano por cerca de 250 mil votos. A margem foi construída fora da Colômbia: recebeu 63,78% dos votos emitidos no exterior e cerca de 80% dos emitidos nos Estados Unidos, onde viveu durante mais de uma década. Trump apoiou publicamente. María Elvira Salazar esteve em Barranquilla no dia da votação. Um ativista opositor foi detido dias antes do segundo turno por decisão do secretário de Estado Marco Rubio. De la Espriella toma posse a 7 de agosto com três nacionalidades e sem ter esclarecido o que fará com elas.
O novo presidente da Colômbia deverá tomar posse a 7 de agosto em Cali, se o Senado ratificar a nova sede, com o país alinhado à ofensiva antinarcóticos de Washington. O mesmo instrumento — a extradição — que De la Espriella propôs proibir no início da carreira é agora a moeda que ofereceu a Donald Trump. O escrutínio federal sobre o seu nome no circuito financeiro de Alex Saab nunca foi explicado publicamente por nenhuma das partes.
Um trabalhador filipino monitoriza dez doentes em cuidados intensivos, avalia sinais vitais e decide quando alertar a equipa presencial — tudo a partir de casa, por 5 a 10 dólares à hora. A lei americana só não deixa chamar-lhe uma coisa: enfermeiro. É essa exclusão, não a tecnologia, que torna o modelo possível.
El Salvador deixou de ser um dos países mais violentos do mundo através de um regime de exceção que a Human Rights Watch documenta como sistemático em abusos. O mesmo modelo já elegeu os presidentes na Colômbia e no Peru, e começa a ecoar na direita radical europeia — mas os resultados, fora de El Salvador, têm sido muito diferentes.
A Colômbia e o Peru elegeram, por margens estatisticamente ínfimas, dois presidentes que prometem replicar o Cecot salvadorenho. Nenhum dos dois países debateu, com a mesma clareza, o resto do pacote que normalmente acompanha essa promessa: concentração de poder, debilitação judicial, detenções sem processo devido.