CONTEXTO · Geopolítica e Poder · Colômbia / EUA · Intervenção eleitoral e cidadania múltipla
De la Espriella: cidadania norte-americana e a diáspora
De la Espriella, a cidadania americana e a intervenção que não tem precedente
- De la Espriella venceu a segunda votação por cerca de 250 mil votos. A diáspora foi decisiva: recebeu 63,78% dos votos no exterior e cerca de 80% dos emitidos nos Estados Unidos.
- Naturalizou-se cidadão norte-americano em 2023. Tem também a nacionalidade italiana. A campanha nunca confirmou se renunciaria a alguma delas.
- Trump apoiou publicamente De la Espriella antes da segunda votação. María Elvira Salazar esteve em Barranquilla no dia das eleições, enquanto Bernie Moreno acompanhou o processo a partir de Bogotá.
- Dias antes da segunda votação, o secretário de Estado Marco Rubio autorizou a detenção de um ativista colombiano que instava a diáspora a não votar em De la Espriella.
- As missões internacionais de observação validaram o processo eleitoral, mas registaram a pressão e a intervenção política estrangeira na votação.
- Moreno sinalizou que o comportamento de Petro na transição poderia influenciar uma decisão do Tesouro norte-americano sobre as sanções que lhe foram aplicadas.
- 2015 — Franklin Humberto Coral Garrido entra nos EUA com visto de turista e apresenta um pedido de asilo.
- 2023 — De la Espriella naturaliza-se cidadão norte-americano.
- 2024–2025 — Vive em Florença e regressa à Colômbia para a campanha presidencial.
- Junho de 2026 — Trump declara apoio público antes da segunda votação
- Dias antes da segunda votação — Marco Rubio autoriza a detenção de Coral, enviado para um centro de detenção na Louisiana.
- 21 de junho de 2026 — De la Espriella vence por cerca de 250 mil votos; Petro contesta o resultado.
- Quarta-feira seguinte — Cepeda reconhece a derrota após a verificação eleitoral.
- 16 de julho de 2026 — Coral é deportado para a Colômbia.
- Após a eleição — Moreno sinaliza que a transição poderá influenciar uma decisão sobre as sanções aplicadas a Petro.
- 7 de agosto de 2026 — De la Espriella deverá tomar posse.
Abelardo de la Espriella venceu a segunda votação colombiana por cerca de 250 mil votos — menos de um ponto percentual. A margem foi construída fora da Colômbia: recebeu 63,78% dos votos emitidos no exterior e cerca de 80% dos emitidos nos Estados Unidos. Numa eleição com a participação recorde, o voto exterior foi, segundo várias avaliações, decisivo. De la Espriella ganhou exatamente onde viveu durante mais de uma década.
Naturalizou-se cidadão norte-americano em 2023. Tem também nacionalidade italiana, país onde residiu em Florença antes de regressar para a campanha. Apresentou o estatuto de cidadão norte-americano como vantagem: proteção pessoal num país violento e trunfo diplomático num momento em que Washington tornou a América Latina uma prioridade. A campanha nunca confirmou se renunciaria a alguma das nacionalidades após a posse. A questão jurídica não tem resposta obrigatória: nem a Constituição colombiana nem a lei norte-americana exigem essa renúncia. Gustavo Petro, que De la Espriella sucede, tem também dupla nacionalidade: colombiana e italiana — o que torna a cidadania múltipla e um precedente já estabelecido antes desta eleição.
Uma coisa é a cidadania múltipla ser legal. Outra é o presidente dos Estados Unidos ter declarado o seu apoio ao candidato antes da segunda volta; representantes políticos republicanos terem acompanhado e apoiado a sua candidatura em território colombiano e o voto da diáspora norte-americana ter sido decisivo para a vitória.
Trump deu o seu apoio público a De la Espriella e contactou-o por telefone para o felicitar após a vitória. María Elvira Salazar, congressista republicana pela Florida, esteve em Barranquilla no dia da segunda volta; Bernie Moreno, senador republicano pelo Ohio nascido na Colômbia, acompanhou o processo a partir de Bogotá. Javier Milei, da Argentina, e Daniel Noboa, do Equador, associaram-se publicamente ao apoio. Moreno passara semanas a difundir alegações de irregularidades eleitorais e compra de votos pela esquerda — e depois de se reunir com De la Espriella sinalizou que o comportamento de Petro durante a transição poderia influenciar uma decisão do Tesouro norte-americano sobre as sanções que lhe foram aplicadas por se ter oposto às operações militares dos Estados Unidos contra embarcações suspeitas de transportar droga.
Dias antes da segunda volta, as autoridades de imigração norte-americanas detiveram Franklin Humberto Coral Garrido, conhecido como Beto Coral, ativista progressista colombiano radicado nos Estados Unidos desde 2015 com um pedido de asilo pendente, que instava a diáspora a não votar em De la Espriella. A detenção foi autorizada pelo secretário de Estado Marco Rubio com base na alegação de que Coral desenvolvia atividades políticas de apoio ao governo de Petro durante a sua permanência nos Estados Unidos. O Departamento de Estado não publicou um documento específico que permita reconstruir integralmente a decisão. Coral foi deportado para a Colômbia em 16 de julho.
Especialistas em política internacional classificaram a sequência: apoio presidencial, presença e atuação de políticos norte-americanos apoiando a campanha e a detenção de um opositor — como sem paralelo recente no continente. As missões internacionais de observação eleitoral validaram o resultado e não identificaram irregularidades capazes de alterar a eleição, mas registaram o ambiente de acusações, pressão externa e polarização deste processo.
Petro denunciou publicamente irregularidades, mobilizou os seus seguidores nas redes sociais e os seus ministros convocaram uma reunião de emergência em Bogotá. Iván Cepeda reconheceu a derrota na quarta-feira seguinte, após o processo de verificação eleitoral. As manifestações que se seguiram foram localizadas.
De la Espriella toma posse a 7 de agosto com três nacionalidades e sem ter esclarecido publicamente se pretende renunciar a alguma delas.
Imagem: Taschengeld / Pixabay
Funcionalidade Google
Fontes preferidas disponíveis em Portugal.
A nova opção permite selecionar publicações para surgirem com maior frequência em pesquisas noticiosas relevantes.


