A suspensão dos voos da FlyDubai entre o Dubai e Israel acrescentou uma interrupção às ligações aéreas do emirado. A decisão surgiu depois do ataque a bordo do voo 1073 da FlyDubai, em 30 de setembro, quando a guerra na região já tinha reduzido o movimento no aeroporto e a chegada de turistas.
Essa sequência importa para compreender os números: a previsão de passageiros para 2026 tinha sido revista em baixa antes do incidente. O aeroporto internacional do Dubai passou a esperar cerca de 70 milhões de passageiros, em vez dos 99,5 milhões previstos em fevereiro.
O que aconteceu no voo 1073 da FlyDubai
O avião seguia do Dubai para Telavive quando o copiloto atacou o comandante com um machado de emergência, segundo as autoridades dos Emirados Árabes Unidos. O aparelho entrou numa descida acentuada. A intervenção de passageiros e tripulantes permitiu dominar o agressor e recuperar o controlo.
Nas suas comunicações sobre o voo, a FlyDubai informou que a aeronave foi desviada para Tabuk, na Arábia Saudita, e aterrou em segurança. A companhia confirmou também a suspensão temporária dos voos de e para Israel enquanto decorre a investigação.
Em 3 de outubro, o procurador-geral dos Emirados, Hamad Saif Al Shamsi, afirmou que os resultados preliminares apontavam para uma tentativa de ato terrorista. As autoridades continuam a investigar as circunstâncias, os motivos e eventuais ligações do ataque. A qualificação anunciada não significa que a investigação esteja concluída.
Menos passageiros e menos visitantes
O aeroporto internacional do Dubai, o mais movimentado do mundo em passageiros internacionais em 2025, recebeu 31,5 milhões de passageiros no primeiro semestre de 2026. O total representa uma descida de 31,3% face ao mesmo período do ano anterior.

As suspensões de rotas por companhias internacionais prolongaram os efeitos da guerra sobre as ligações ao emirado. A Cathay Pacific anunciou em 28 de setembro que os seus serviços de passageiros para o Dubai continuariam suspensos até 31 de janeiro de 2027. A FlyDubai, a Emirates e a Etihad, detidas por governos, mantiveram operações mais extensas na região do que muitas das suas concorrentes internacionais.
A perda de visitantes acompanha a quebra na aviação. Entre janeiro e agosto de 2026, o Dubai recebeu 6,97 milhões de turistas internacionais com pernoita, segundo o Departamento de Economia e Turismo. No mesmo período de 2025, tinham sido 12,54 milhões.
Nos hotéis, a ocupação recuperou de 36% em março para 66% em agosto, embora permanecesse abaixo do nível de um ano antes. Para o conjunto dos Emirados Árabes Unidos, a Capital Economics prevê uma contração de 1,5% do PIB em 2026. Esta previsão nacional tem um âmbito diferente dos indicadores de turismo e aviação relativos apenas ao Dubai.
Uma ligação económica construída desde 2020
As relações entre Israel e os Emirados foram normalizadas em 2020, no quadro dos Acordos de Abraão. A isenção de vistos e os voos diretos frequentes ajudaram a criar um fluxo de visitantes israelitas. Segundo a embaixada de Israel, cerca de 1,2 milhões tinham visitado os Emirados até ao final de 2023.
A guerra com o Irão travou esse movimento. Em 13 de março de 2026, o Conselho de Segurança Nacional de Israel aconselhou os cidadãos israelitas a evitar viagens com escala nos Emirados, devido aos riscos de segurança na região.
As dificuldades nas ligações aéreas coexistem com pressões sobre outras vias de circulação económica do Golfo, incluindo a rota petrolífera alternativa ao estreito de Ormuz, que termina no Mar Vermelho.
O investimento que continua em Al Maktoum
O peso da aviação na economia ajuda a explicar a dimensão dos projetos aeroportuários do Dubai. Um estudo da Oxford Economics, encomendado pela Emirates e pela Dubai Airports, estimou que a aviação e o turismo por ela facilitado sustentaram atividade equivalente a 27% do PIB do emirado em 2023. O cálculo inclui efeitos diretos, indiretos e induzidos, além do contributo do turismo.

A expansão do aeroporto Al Maktoum tem um investimento anunciado de cerca de 35 mil milhões de dólares. A primeira fase está prevista para 2032. Quando todas as fases estiverem concluídas, o projeto deverá permitir receber mais de 260 milhões de passageiros por ano.
São metas de um projeto de longo prazo, distintas do tráfego efetivamente registado. No presente, o aeroporto internacional do Dubai trabalha com uma previsão anual reduzida e a FlyDubai mantém suspensas as ligações a Israel, à espera dos desenvolvimentos da investigação ao voo 1073.
Imagem de destaque: Avião da FlyDubai, matrícula A6-FMH, em Telavive, em dezembro de 2021. Fotografia de arquivo; não identifica a aeronave do voo 1073. Foto: Ronen Fefer / Wikimedia Commons, CC BY-SA 2.0. Fonte · Licença.
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