Os juros da dívida francesa a dez anos ultrapassaram os de Itália e da Grécia. A dívida cresce e o próximo orçamento terá de ser negociado antes das presidenciais.
Juros da dívida francesa: o prémio face à Alemanha
A 25 de setembro, os juros da dívida francesa a dez anos rondavam 4,73%. A Itália, cuja notação da dívida fora melhorada pela Moody’s em 2025, pagava cerca de 4,50% e a Grécia 4,42% pelo mesmo prazo. São taxas exigidas no mercado naquele momento, não o custo médio de toda a dívida que cada Estado tem por pagar.
Em 17 de agosto, a taxa francesa a dez anos já ultrapassava os 4%, o valor mais elevado desde 2009. A alemã também subia. Naquele dia, a diferença entre as duas era de cerca de 0,84 pontos percentuais. Em setembro, ultrapassou um ponto, antes de voltar a oscilar.

A dívida francesa e o orçamento de 2027
No fim do primeiro trimestre de 2026, a dívida francesa atingia 3.536,1 mil milhões de euros, segundo o INSEE. Representava 117,5% do produto interno bruto e tinha aumentado 75,6 mil milhões de euros em três meses. No fim de 2024, correspondia a 112,6% do PIB: quase cinco pontos percentuais menos, quinze meses antes.
Na previsão publicada na primavera, a Comissão Europeia apontava para uma dívida de 118,1% do PIB em 2026 e 120,2% em 2027. Em setembro, o Ministério das Finanças francês apresentou projeções mais altas: 119,3% e 121,7%.
A Fitch manteve a classificação da França em A+ no fim de agosto. Previu, contudo, que a dívida chegaria a 122,7% do PIB em 2028, mais 1,7 pontos percentuais do que calculara na avaliação anterior. A agência apontou os défices elevados, a subida da despesa com juros e a dificuldade de obter maiorias para reduzir o défice. A dimensão da economia francesa, o setor bancário e a base de investidores continuam a sustentar a classificação. À pressão dos juros junta-se a discussão europeia sobre a meta de 5% da NATO, com consequências para as escolhas orçamentais.
O Governo estimava em julho que a despesa com juros chegaria a 64,8 mil milhões de euros em 2026 e a 74,2 mil milhões no ano seguinte. A Agência France Trésor apresentava 59,3 mil milhões para 2026, numa rubrica referente à dívida do Estado. O aumento das taxas de mercado não passa inteiro para essas contas de um dia para o outro: as obrigações já emitidas conservam as suas condições até ao vencimento.
François Bayrou perdeu o cargo de primeiro-ministro em 2025, depois de procurar apoio para um ajustamento de cerca de 44 mil milhões de euros. Sébastien Lecornu só conseguiu fazer passar o orçamento de 2026 em fevereiro, após a rejeição de duas moções de censura. Agora prepara o orçamento seguinte, antes das presidenciais da primavera de 2027.

A Fitch prevê que a fragmentação parlamentar continue a dificultar a redução do défice mesmo depois das eleições. Entretanto, as obrigações de outros países europeus também encareceram, perante a inflação, os preços da energia e as expectativas sobre as taxas do Banco Central Europeu. Os juros da dívida francesa subiram nesse mercado; o diferencial face à Alemanha aumentou dentro dele.
Paris enfrenta, assim, a negociação de outro orçamento com uma dívida em crescimento e uma taxa de financiamento a dez anos superior às de Roma e Atenas. Quanto dessa taxa chegará à despesa anual com juros depende das obrigações que tiver de emitir para financiar o Estado e substituir as que vencem.
Imagem de capa: edifício Colbert do Ministério das Finanças francês, em Bercy (2012). Fotografia: Dinkum / Wikimedia Commons. Domínio público (CC0 1.0).
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