Que oposição admite a revolução da MAGA?

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Kevin Roberts chama-lhe uma segunda Revolução Americana. A Heritage Foundation preparou propostas, recrutamento e formação para transformar a administração federal.

Economia

Elian Morvane
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Elian Morvane é analista do Arcana News, onde escreve sobre geopolítica, poder e relações internacionais. É autor de mais de trezentos artigos de análise e contexto, com foco nas dinâmicas europeias, na política institucional e nos processos de influência que raramente chegam às manchetes.
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Em julho de 2024, Kevin Roberts, presidente da Heritage Foundation, afirmou que os Estados Unidos atravessavam uma «segunda Revolução Americana», que permaneceria sem derramamento de sangue «se a esquerda o permitir».

Em março de 2025, voltou a escrever a frase num artigo no The Spectator. Apresentou a vitória de Trump e as primeiras decisões da nova Administração como confirmação do caminho que defendera.

Roberts afirmou também que o seu projeto não exigia violência.

Que lugar reserva este projeto à discordância dos funcionários e à fiscalização das instituições?

Preparar pessoas para ocupar os lugares

Em maio de 2023, a Heritage apresentou o Project 2025 como um programa com quatro componentes: propostas políticas, recrutamento de pessoal, formação e um plano para os primeiros 180 dias da futura administração conservadora.

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No mesmo comunicado, o então diretor do projeto, Paul Dans, anunciou a preparação de conservadores selecionados e treinados para começarem a trabalhar no primeiro dia e desmantelarem o chamado Estado administrativo.

Donald Trump assina ordens executivas na Sala Oval, em 3 de junho de 2026
Donald Trump assina ordens executivas na Sala Oval, em 3 de junho de 2026. Molly Riley / Casa Branca. Domínio público.

Executar uma política não exige acreditar nela

A ordem executiva assinada por Trump em 20 de janeiro de 2025 sobre funcionários com influência na definição de políticas prevê maior facilidade de afastamento dos trabalhadores abrangidos.

Contém, porém, uma distinção: não lhes exige apoio pessoal ou político ao Presidente; exige a execução fiel de políticas conformes com a lei.

Um funcionário pode discordar de uma política e executá-la. Pode também identificar um impedimento legal. A distinção importa para compreender como Trump reforça o controlo sobre o Estado.

Quem fica do lado de fora do povo

Na argumentação de Roberts, o conflito opõe os americanos a uma elite administrativa que teria ocupado o poder.

A vitória eleitoral autoriza o exercício de competências. Não demonstra que todas as resistências sejam ilegítimas.

Trump responde aos jornalistas depois de assinar ordens executivas, em junho de 2026
Donald Trump responde aos jornalistas após a assinatura de ordens executivas, em 3 de junho de 2026. Molly Riley / Casa Branca. Domínio público.

A prova estará na possibilidade de contrariar

Importa acompanhar decisões: quem pode ser afastado, por que motivo, com que possibilidade de defesa e perante que fiscalização.

Um tribunal impede uma medida. Um funcionário assinala uma ilegalidade. Uma comissão exige documentos. É nessa altura que se percebe se o Governo reconhece uma competência alheia.

Leitura relacionada: Dinheiro federal nos EUA: quem decide?

Fontes

Imagem principal: Kevin Roberts no AmericaFest, em Phoenix, em 19 de dezembro de 2025. Gage Skidmore, CC BY-SA 4.0.

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