Em julho de 2024, Kevin Roberts, presidente da Heritage Foundation, afirmou que os Estados Unidos atravessavam uma «segunda Revolução Americana», que permaneceria sem derramamento de sangue «se a esquerda o permitir».
Em março de 2025, voltou a escrever a frase num artigo no The Spectator. Apresentou a vitória de Trump e as primeiras decisões da nova Administração como confirmação do caminho que defendera.
Roberts afirmou também que o seu projeto não exigia violência.
Que lugar reserva este projeto à discordância dos funcionários e à fiscalização das instituições?
Preparar pessoas para ocupar os lugares
Em maio de 2023, a Heritage apresentou o Project 2025 como um programa com quatro componentes: propostas políticas, recrutamento de pessoal, formação e um plano para os primeiros 180 dias da futura administração conservadora.
No mesmo comunicado, o então diretor do projeto, Paul Dans, anunciou a preparação de conservadores selecionados e treinados para começarem a trabalhar no primeiro dia e desmantelarem o chamado Estado administrativo.

Executar uma política não exige acreditar nela
A ordem executiva assinada por Trump em 20 de janeiro de 2025 sobre funcionários com influência na definição de políticas prevê maior facilidade de afastamento dos trabalhadores abrangidos.
Contém, porém, uma distinção: não lhes exige apoio pessoal ou político ao Presidente; exige a execução fiel de políticas conformes com a lei.
Um funcionário pode discordar de uma política e executá-la. Pode também identificar um impedimento legal. A distinção importa para compreender como Trump reforça o controlo sobre o Estado.
Quem fica do lado de fora do povo
Na argumentação de Roberts, o conflito opõe os americanos a uma elite administrativa que teria ocupado o poder.
A vitória eleitoral autoriza o exercício de competências. Não demonstra que todas as resistências sejam ilegítimas.

A prova estará na possibilidade de contrariar
Importa acompanhar decisões: quem pode ser afastado, por que motivo, com que possibilidade de defesa e perante que fiscalização.
Um tribunal impede uma medida. Um funcionário assinala uma ilegalidade. Uma comissão exige documentos. É nessa altura que se percebe se o Governo reconhece uma competência alheia.
Leitura relacionada: Dinheiro federal nos EUA: quem decide?
Fontes
- Kevin Roberts, We are living through the Second American Revolution, The Spectator, 23 de março de 2025.
- Heritage Foundation, apresentação do Project 2025, 19 de maio de 2023.
- Casa Branca, ordem executiva sobre funcionários com influência na definição de políticas, 20 de janeiro de 2025.
Imagem principal: Kevin Roberts no AmericaFest, em Phoenix, em 19 de dezembro de 2025. Gage Skidmore, CC BY-SA 4.0.
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