A Albânia expõe o custo das barreiras europeias
Uma empresa turca compra o aço japonês a 500 dólares a tonelada. A concorrente portuguesa que fabrica a mesma estrutura metálica paga 780 euros pelo mesmo material, uma diferença de 82%.
Aço na Europa e a vantagem de produzir na Albânia

A Metalogalva, a maior produtora portuguesa de estruturas metálicas para redes elétricas e energia renovável, abriu uma fábrica na Albânia. Ali importa bobinas de aço asiático, transforma-as e reexporta o produto acabado para a União Europeia sem pagar direitos antidumping e sem ficar sujeita às tarifas e ao sistema europeu de quotas aplicáveis ao produto importado diretamente. O Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço, o CBAM, continua a aplicar-se.
Um operador turco compra aço chinês sem antidumping, transforma-o e coloca o produto na Europa a um preço inferior ao praticado por fabricantes europeus.
A AIMMAP, associação portuguesa do sector, chama a atenção para outra contradição. A regulação europeia pretende proteger a indústria siderúrgica, “mesmo que 80% do seu capital neste momento já esteja em mãos asiáticas e a UE não seja autossuficiente no aço”.

O CBAM está operacional desde janeiro de 2026, mas a fatura definitiva para as empresas só chega em setembro de 2027. Não existem, além disso, organismos acreditados para certificar as emissões de fabricantes fora da UE. Sem essa certificação, os importadores ficam sujeitos a valores de referência.
A diferença de custo ajuda a explicar a decisão das empresas. Produzir na Albânia permite importar o aço asiático, transformá-lo localmente e reexportá-lo para a União Europeia sem algumas das barreiras que recaem sobre uma empresa que faça a mesma operação dentro do território comunitário. O CBAM continua a aplicar-se, mas o calendário de cobrança cria, até setembro de 2027, uma diferença adicional nas condições em que as duas empresas operam.
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