Aço na Europa e a vantagem de produzir na Albânia

Produzir na Albânia permite importar o aço asiático, transformá-lo localmente e reexportá-lo para a União Europeia sem algumas das barreiras que recaem sobre uma empresa que faça a mesma operação dentro do território comunitário.

Economia

Elian Morvane
Elian Morvanehttps://arcananews.com/author/elian-morvane/
Elian Morvane é analista do Arcana News, onde escreve sobre geopolítica, poder e relações internacionais. É autor de mais de trezentos artigos de análise e contexto, com foco nas dinâmicas europeias, na política institucional e nos processos de influência que raramente chegam às manchetes.
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A Albânia expõe o custo das barreiras europeias

Uma empresa turca compra o aço japonês a 500 dólares a tonelada. A concorrente portuguesa que fabrica a mesma estrutura metálica paga 780 euros pelo mesmo material, uma diferença de 82%.

Aço na Europa e a vantagem de produzir na Albânia

Vista da arquitetura de Tirana, capital da Albânia
Tirana, capital da Albânia, o país fora da União Europeia para onde a Metalogalva deslocou a transformação do aço asiático, escapando a direitos antidumping, tarifas e quotas europeias.

A Metalogalva, a maior produtora portuguesa de estruturas metálicas para redes elétricas e energia renovável, abriu uma fábrica na Albânia. Ali importa bobinas de aço asiático, transforma-as e reexporta o produto acabado para a União Europeia sem pagar direitos antidumping e sem ficar sujeita às tarifas e ao sistema europeu de quotas aplicáveis ao produto importado diretamente. O Mecanismo de Ajustamento Carbónico Fronteiriço, o CBAM, continua a aplicar-se.

Um operador turco compra aço chinês sem antidumping, transforma-o e coloca o produto na Europa a um preço inferior ao praticado por fabricantes europeus.

A AIMMAP, associação portuguesa do sector, chama a atenção para outra contradição. A regulação europeia pretende proteger a indústria siderúrgica, “mesmo que 80% do seu capital neste momento já esteja em mãos asiáticas e a UE não seja autossuficiente no aço”.

Vista de um complexo siderúrgico industrial em Pittsburgh, com várias chaminés altas e edifícios fabris típicos da produção de aço do século XX.
Um complexo siderúrgico nos Estados Unidos, em 1938. A regulação europeia sobre o aço, incluindo o CBAM, tenta hoje proteger uma indústria que a AIMMAP descreve como já maioritariamente em mãos asiáticas. Fotografia: Arthur Rothstein, coleção Farm Security Administration/Office of War Information, Library of Congress, domínio público.

O CBAM está operacional desde janeiro de 2026, mas a fatura definitiva para as empresas só chega em setembro de 2027. Não existem, além disso, organismos acreditados para certificar as emissões de fabricantes fora da UE. Sem essa certificação, os importadores ficam sujeitos a valores de referência.

A diferença de custo ajuda a explicar a decisão das empresas. Produzir na Albânia permite importar o aço asiático, transformá-lo localmente e reexportá-lo para a União Europeia sem algumas das barreiras que recaem sobre uma empresa que faça a mesma operação dentro do território comunitário. O CBAM continua a aplicar-se, mas o calendário de cobrança cria, até setembro de 2027, uma diferença adicional nas condições em que as duas empresas operam.

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