Nick Bilton no «60 Minutes»: Bari Weiss rompe a tradição
Sem qualquer experiência a dirigir televisão, o ex-colunista estreia este domingo a 59.ª temporada do programa depois de uma purga que dividiu a redação, com a diretora executiva da CBS News a rejeitar a distância que sempre separou a chefia da autonomia do «60 Minutes».
A estreia de Nick Bilton no «60 Minutes» acontece este domingo, no regresso do programa para a sua 59.ª temporada. Será a primeira emissão de televisão que dirige.
Antigo colunista, autor de dois livros e produtor de documentários, Bilton foi instalado em maio à frente do espaço informativo mais rentável da CBS, por decisão de Bari Weiss, a nova diretora executiva da CBS News. A estação deu-lhe a possibilidade de adiar a estreia até outubro. Bilton recusou. «Estamos prontos», disse à rede, segundo pessoas a par do processo.
A decisão chega depois de meses em que o próprio «60 Minutes» esteve nas notícias. A reestruturação imposta por Weiss levou à saída de nomes históricos da redação: a produtora executiva Tanya Simon, com 25 anos de casa, e as correspondentes Sharyn Alfonsi e Cecilia Vega. Alfonsi acusou publicamente Weiss de fazer pender a cobertura do programa por motivos políticos, uma acusação que a diretora nega. Campanile, antigo jornalista com mais de três décadas na CBS News, escreveu que ele e os colegas não comprometeriam os seus princípios nem a sua reputação para introduzir no programa noções não verificáveis ou argumentos da Casa Branca. A CBS recusou comentar tanto as acusações de Alfonsi como a publicação de Campanile.
Weiss assumiu a CBS News em outubro do ano passado, depois de vender à Paramount o site que fundara em 2021, a Free Press. Também ela não tinha qualquer experiência em televisão. Parte da redação viu-a como uma intrusa num programa que sempre prezou a sua autonomia. Ao escolher Bilton, apresentou-o publicamente como «um dos jornalistas mais empreendedores da nossa era».

Antes desta temporada, Weiss já tinha dito que aquilo a que chamam «interferência editorial» é, na realidade, a descrição das funções de uma diretora executiva. Os anteriores responsáveis de informação da CBS mantinham tradicionalmente distância do «60 Minutes». Weiss optou por um envolvimento próximo e assumido. Bilton chega ao programa com essa fronteira entre gestão e redação dependente da relação entre ambos.
Nick Bilton no «60 Minutes» chega com a fronteira entre gestão e redação dependente da relação com Bari Weiss.
A inteligência artificial será um dos temas centrais da nova temporada, ao nível de outros momentos que o programa tratou como definidores de época: a Guerra do Vietname, o combate à indústria tabaqueira e os ataques de 11 de setembro. Bilton promete reforçar as investigações originais. Há atualmente 35 peças em montagem ou gravação e outras 60 em desenvolvimento.
O programa, com quase 60 anos, terá uma nova identidade gráfica, lentes diferentes e gravação em 4K. Bilton descreve as alterações aos colegas como «evolutivas, não revolucionárias». Considera que uma peça só se justifica se mostrar algo que o espectador ainda não viu ou oferecer um ângulo genuinamente novo. Ele e a nova editora executiva, Maria Gavrilovic, usam Racine, no Wisconsin — cidade natal de Gavrilovic e onde vive o pai de Bilton — como bitola informal: se alguém em Racine perceber a história, a história está pronta.
Ross Douthat, colunista de opinião do New York Times, entra como correspondente. Sebastian Junger, Gianna Toboni e Trevor Phillips juntam-se como colaboradores, ao lado de Lesley Stahl, Bill Whitaker e Jon Wertheim. Norah O’Donnell foi promovida a correspondente. Gavrilovic, antiga produtora de Scott Pelley, ascendeu a editora executiva. Chris Stewart foi contratado ao Wall Street Journal, onde dirigia a área de investigações, para ocupar o cargo de novo editor executivo.

O «60 Minutes» gera cerca de 100 milhões de dólares de receita anual, entre taxas de distribuição e publicidade digital, com um orçamento de aproximadamente 60 milhões, segundo pessoas próximas das contas do programa. Desde 2022, a publicidade televisiva linear caiu 25%, de 84,5 para 67,2 milhões de dólares no último ano. A audiência subiu 9%, para uma média de 9,1 milhões de espectadores na temporada anterior.
A Paramount, controlada pela família Ellison e dona da CBS, enfrenta uma ação judicial movida pela Califórnia e por outros onze estados para travar a compra da Warner Bros. Discovery por 81 mil milhões de dólares.
A primeira emissão de Nick Bilton no «60 Minutes» inclui uma entrevista com um dos aviadores norte-americanos resgatados depois de terem sido abatidos no Irão em abril e uma reportagem sobre os Los Angeles Rams, favoritos ao Super Bowl, numa estação que também transmite jogos da NFL.
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