Washington propõe financiar a rota alternativa a Ormuz. A principal saída saudita termina em Yanbu, num mar onde os huthis atacaram petroleiros.
A rota alternativa a Ormuz pela Arábia Saudita começa no oleoduto que atravessa o país desde Abqaiq, no leste, até ao porto de Yanbu, no Mar Vermelho. A conduta foi atingida por drones no início de setembro. Ninguém reivindicou os ataques. Segundo a CBS News, suspeitava-se de milícias apoiadas pelo Irão no Iraque, e as primeiras estimativas admitiam que a paragem pudesse durar até cinco semanas.
A Agência Internacional de Energia atribui à conduta uma capacidade de projeto de cinco milhões de barris por dia. A Aramco afirma tê-la elevado a sete milhões, embora a agência ressalve que esse volume não foi testado de forma sustentada. Com a passagem por Ormuz fortemente limitada pela guerra, não existe outro desvio de petróleo saudita com esta dimensão.
Rota alternativa a Ormuz: o percurso de Yanbu
De Yanbu, os carregamentos seguem por mar. Os navios destinados à Europa podem subir até ao Canal do Suez. Os que se dirigem à Ásia percorrem o Mar Vermelho no sentido contrário, até Bab al-Mandeb.
Os huthis declararam em julho um bloqueio à navegação saudita nessas águas. Nesse mês, a agência oficial saudita confirmou que o petroleiro Encelia fora atingido em trânsito e que se declarara um incêndio na proa. A 24 de agosto, a agência britânica de segurança marítima UKMTO comunicou que outro petroleiro tinha sido atingido por um projétil desconhecido a 63 milhas náuticas a oeste de Yanbu. Os huthis reivindicaram o ataque.
Em setembro, o grupo tomou o porto de Mokha, ilhas e mais território na costa iemenita. A sua presença aproximou-se de Bab al-Mandeb, sem lhe dar o controlo do estreito. A Associated Press refere que por ali passa, em condições normais, cerca de 12% do comércio mundial.

A 10 de setembro, Mohammed bin Salman telefonou duas vezes a Donald Trump para pedir ataques aos huthis. Trump recusou, segundo o Axios. Responsáveis norte-americanos disseram à ABC News que Washington prestava informações e apoio na seleção de alvos, mas não planeava intervir diretamente. Aos sauditas, responsáveis militares e civis americanos transmitiam que a orientação de Trump era manter as forças concentradas no Irão e em Ormuz, noticiou o Axios.
Depois de um novo pedido saudita, Trump mandou o Pentágono preparar opções de ataque a 17 de setembro, de acordo com fontes citadas pela CBS News. No dia 19, a coligação liderada pela Arábia Saudita anunciou ter intercetado um míssil balístico dirigido a Riade. Nessa noite, a administração americana decidiu adiar os ataques aos huthis. A Casa Branca não queria, por enquanto, alargar o campo de batalha.
A 20 de setembro, um porta-voz da Guarda Revolucionária avisou que uma nova agressão americana levaria Teerão a alterar o armamento usado e a geografia do conflito. Dois dias depois, em Nova Iorque, Steve Witkoff e Jared Kushner participaram em cerca de três horas de conversações com representantes iranianos. Witkoff descreveu os contactos como indiretos; Trump considerou-os muito bons.
O fundo PACT e as rotas por definir
O Wall Street Journal tinha noticiado, a 21 de setembro, uma proposta da administração americana para investir cinco mil milhões de dólares num fundo denominado PACT. O valor poderia chegar aos dez mil milhões se a Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar, o Bahrein, o Kuwait, Omã, o Iraque e a Jordânia igualassem, em conjunto, a contribuição dos Estados Unidos.
Segundo os responsáveis e documentos citados pelo jornal, a agência americana de financiamento ao desenvolvimento geriria o fundo. O dinheiro destinava-se à reconstrução de instalações energéticas danificadas pela guerra e ao desenvolvimento de rotas de exportação que reduzissem a dependência de Ormuz. A proposta pode mudar; a participação dos oito países ainda não está assegurada. As notícias sobre o PACT não indicam onde seriam construídas novas infraestruturas.
Yanbu não encerra o percurso
Para os compradores asiáticos abastecidos a partir de Yanbu, a rota alternativa a Ormuz implica atravessar o Mar Vermelho até Bab al-Mandeb. O oleoduto dos Emirados entre Habshan e Fujairah oferece outra saída, para o Golfo de Omã, mas tem uma capacidade bastante inferior à atribuída à conduta saudita. O projeto americano poderá financiar diferentes percursos; nenhum traçado de novas obras foi identificado nas notícias sobre o fundo.
Segundo a CNBC, um ataque iraniano ao oleoduto saudita em abril reduziu o caudal em cerca de 700 mil barris por dia. Drones iranianos perturbaram também operações de carregamento em Fujairah. Quanto aos que atingiram a conduta saudita em setembro, a CBS News noticiou suspeitas de que teriam partido do Iraque.
O Ministério da Defesa britânico anunciou, a 22 de setembro, que disponibilizaria um avião de reabastecimento RAF Voyager para apoiar a aviação saudita. Riade assinou também um pacto de defesa com a Turquia e o Paquistão. Responsáveis ouvidos pela ABC News admitiram que Trump poderia rever a decisão de não atacar diretamente os huthis, sobretudo se a ameaça às rotas marítimas aumentasse de forma significativa.
Dirigentes iranianos afirmam ter transmitido a Washington, através de mediadores, condições para permitir a passagem por Ormuz. Entre elas está o fim do bloqueio naval americano. Uma reabertura reduziria a urgência de recorrer às rotas alternativas; até lá, os carregamentos que saem de Yanbu continuam a depender dos navios e das águas por onde passam.
Dos dez mil milhões de dólares previstos para o PACT, metade viria dos Estados Unidos. A outra metade depende de oito países que ainda não asseguraram a sua contribuição. A principal alternativa saudita já está construída: atravessa o país até Yanbu. Para parte dos compradores, a viagem continua daí para sul.
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