O Cockroach Janta Party conseguiu a demissão do ministro da Educação da Índia. Agora rejeita transformar-se em partido e começa a apoiar novos protestos estudantis.
Cockroach Janta Party recusa disputar eleições na Índia
Uma delegação do Cockroach Janta Party chegou este sábado, 8 de agosto, a Ranchi, capital do estado indiano de Jharkhand, para apoiar estudantes que contestam as alegadas irregularidades em exames de recrutamento público. As negociações entre representantes dos manifestantes e uma comissão governamental terminaram sem acordo, e os estudantes preparavam uma marcha até à Assembleia estadual.
A presença do CJP em Ranchi ocorre menos de duas semanas depois de Dharmendra Pradhan ter deixado o cargo de ministro da Educação, uma das principais exigências dos protestos que deram projeção nacional ao movimento.
Depois da demissão, começaram também as pressões para que o CJP transformasse a mobilização numa organização eleitoral. Abhijeet Dipke, fundador do movimento, afirmou que essa não é, nesta fase, a intenção. O grupo pretende continuar a atuar como movimento de pressão e não quer associar-se aos grandes partidos indianos.
A mobilização crescera depois da crise em torno do NEET, o exame nacional de acesso aos cursos de medicina. Mais de dois milhões de candidatos foram afetados por uma controvérsia que incluiu a fuga de perguntas e suspeitas de fraude, levando as autoridades a anular resultados e a investigar o processo.
Uma prova deste tipo pode concentrar anos de preparação. Há famílias que suportam despesas com cursos, alojamento e deslocações enquanto os candidatos tentam obter uma das vagas disponíveis. Quando a validade do exame é posta em causa, o problema atinge diretamente esse investimento e pode obrigar os estudantes a repetir o processo.
Abhijeet Dipke, que estava nos Estados Unidos depois de estudar em Boston, reagiu à polémica nas redes sociais. A resposta cresceu rapidamente e levou-o a criar contas e um site para aquilo que viria a tornar-se o Cockroach Janta Party.
O nome nasceu como sátira. «Janta» significa aproximadamente «povo», enquanto a designação recuperava uma comparação feita por uma alta figura judicial indiana entre jovens desempregados e «baratas» ou «parasitas». A sigla CJP aproximava-se também da linguagem dos partidos tradicionais.
Dipke regressou depois à Índia.
Em Nova Deli, manifestantes ocuparam o Jantar Mantar, um dos locais habitualmente utilizados para protestos na capital, exigindo a saída de Pradhan e alterações no sistema de exames. Houve também protestos junto da residência de Narendra Modi.
Rahul Gandhi, dirigente do Congresso e uma das principais figuras da oposição, foi detido durante uma dessas mobilizações. Outros participantes organizaram concentrações, marchas e ações de protesto sem depender diretamente de Dipke.
A 25 de julho, Dharmendra Pradhan apresentou a demissão.
O Governo de Modi tinha resistido durante semanas aos pedidos de afastamento. O CJP, que transformara a saída do ministro numa reivindicação central, encerrou então essa fase dos protestos e apresentou a demissão como uma vitória do movimento.
Dipke pediu aos apoiantes que não tratassem o resultado como uma vitória pessoal e disse que o CJP continuaria ativo.
Com uma organização já conhecida a nível nacional e milhões de seguidores nas redes sociais, começaram a surgir pressões para que o movimento participasse diretamente na política eleitoral.
Dipke afirmou que o CJP não pretende, nesta fase, disputar eleições nem associar-se aos grandes partidos. Os dirigentes dizem querer concentrar-se na responsabilização das instituições, nos problemas do sistema educativo e em questões que afetam jovens trabalhadores e estudantes.
Shashi Tharoor, deputado e uma das figuras mais conhecidas do Congresso, reconheceu neste sábado que a iniciativa estudantil promovida por Rahul Gandhi não conseguiu produzir, entre os jovens, um impacto comparável ao alcançado pelo CJP.
Quase metade da população indiana tem menos de 25 anos, e esse peso demográfico começará a refletir-se ainda mais no eleitorado até às próximas eleições gerais, previstas para 2029. Tharoor classificou os protestos como um aviso para a classe política e chamou a atenção para a dimensão que os eleitores mais jovens poderão assumir nesse escrutínio.
O CJP não possui a implantação territorial nem a estrutura dos grandes partidos. Também não tem de apresentar candidatos, financiar campanhas nacionais ou formular posições sobre todos os assuntos que um partido destinado a governar teria de enfrentar.
Em Jharkhand, os estudantes contestam exames organizados pela Jharkhand Public Service Commission e pela Jharkhand Staff Selection Commission, entidades responsáveis por processos de recrutamento para empregos públicos no estado. As reivindicações não são as mesmas que estiveram na origem da campanha nacional contra o ministro da Educação.
A delegação do CJP chegou a Ranchi para apoiar esses estudantes, sem apresentar candidatos nem procurar representação institucional no conflito.
Os exames e concursos públicos atingem diretamente milhões de jovens que procuram acesso ao ensino superior ou a empregos no Estado. A procura é intensa, sobretudo porque esses empregos continuam associados a uma maior estabilidade num mercado de trabalho em que a criação de postos formais não acompanha necessariamente o número de jovens que todos os anos procuram colocação.
Uma falha num concurso pode adiar durante meses uma candidatura. Em alguns casos, obriga os candidatos a voltar a preparar matérias que já tinham estudado e prolonga os encargos suportados pelas famílias.
A resposta governamental à crise dos exames incluiu propostas de penas mais severas para fugas de perguntas e alterações nos mecanismos de fiscalização das provas.
Com a saída de Pradhan, os dirigentes do CJP passaram a ter de decidir em que conflitos intervêm, quem pode falar em nome da organização e como manter distância dos partidos que procuram aproximar-se dos seus seguidores. Uma organização maior exige também decisões sobre financiamento, representação local e escolha de dirigentes.
O movimento não fixou uma posição definitiva sobre uma eventual candidatura eleitoral no futuro. Dipke tem defendido que qualquer decisão desse tipo deve resultar de consultas aos jovens que participaram no movimento.
A intervenção em Ranchi é uma das primeiras mobilizações relevantes do CJP depois da demissão de Pradhan. O movimento apoia agora estudantes que contestam autoridades estaduais num processo de recrutamento público distinto daquele que lhe deu projeção nacional.
As negociações entre os estudantes e a comissão governamental de Jharkhand terminaram sem acordo, e os manifestantes preparavam uma marcha até à Assembleia estadual com o apoio da delegação do CJP.
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