Setecentos agentes de IA da OpenAI encontraram forma de comunicar e participaram no ataque à Hugging Face. Três outros incidentes tiveram uma origem diferente: o mesmo erro de configuração num fornecedor de testes.
Na China, os robôs já ligam a televisão, fábricas e salas de aula. A Europa concentra-se nos riscos. Em Portugal, construir a tecnologia ainda depende de clubes e professores.
A Palantir tornou visível uma nova aliança entre a tecnologia privada e o poder federal nos EUA. Mas a tese de Alexander Karp, que pede um Estado mais forte para orientar a inovação militar, convive com outra força de Silicon Valley: a que quer reduzir a própria máquina estatal.
A Defense Innovation Unit já mostrou que o Pentágono sabe comprar depressa. A verdadeira reforma só se mede quando essa velocidade sair das exceções e chegar aos grandes programas.
A inteligência artificial não representa apenas um avanço tecnológico. Está a modificar as condições através das quais o poder é exercido, distribuído e contestado. O maior risco não é um conflito entre grandes potências — é a possibilidade de a natureza do conflito se alterar antes de as instituições compreenderem que o paradigma mudou.
O Claude Fable 5 não mostra uma indústria em pausa, mas uma tecnologia a avançar com novas camadas de autorização. A questão já não é saber se a IA vai parar. É perceber quem governa o acesso, os riscos e as versões mais poderosas da máquina.
Magnifica Humanitas, a encíclica de Leão XIV sobre inteligência artificial, não é uma condenação da tecnologia. É uma tentativa de recolocar a pessoa humana no centro de sistemas que já mediam trabalho, escola, verdade, guerra, liberdade e poder. Um texto de contexto para perceber por que motivo a IA entrou no coração da Doutrina Social da Igreja.
A encíclica Magnifica Humanitas, de Leão XIV, desloca a inteligência artificial do campo da inovação para o terreno do poder. A questão já não é apenas o que a máquina consegue fazer, mas quem controla os sistemas, quem responde pelas suas decisões e que lugar resta à dignidade humana quando trabalho, verdade, liberdade, guerra e democracia passam a ser mediados por infraestruturas privadas e opacas.