A 15 de setembro de 2020, na Casa Branca, o Bahrein e os Emirados Árabes Unidos assinaram os Acordos de Abraão com Israel. A promessa por detrás da cerimónia era simples: mostrar ao Irão que dois Estados do Golfo estavam dispostos a colocar-se, em público e por escrito, do lado americano, sem esperar por uma solução para a questão palestiniana. Cinco anos e meio depois, quando a guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão chegou à sua fase de retaliação, em fevereiro de 2026, foi sobre esses dois países que caiu o essencial dos mísseis iranianos.
As primeiras semanas de bombardeamento recaíram sobretudo sobre bases no Bahrein e nos Emirados. Omã e o Qatar, que, até ao início dos combates, tinham mediado as negociações entre Washington e Teerão, sofreram ataques pontuais. Houve ataques noutros Estados do Golfo, mas a concentração dos danos no Bahrein e nos Emirados foi maior.
Os dois países tinham tornado particularmente visível a sua escolha política. Assinaram um tratado público que os colocava ao lado de Israel, aceitaram bases permanentes no seu território e deixaram que essas instalações fossem fotografadas, visitadas por secretários da Defesa e mencionadas durante anos em comunicados oficiais. Omã e o Qatar não tinham assinado os Acordos de Abraão.

Essa publicidade fazia parte do próprio valor político dos acordos. Teerão precisava de saber quem os tinha assinado e até que ponto Washington estava disposto a comprometer-se com esses países para que o sinal tivesse efeito. Quando a dissuasão deixou de impedir os ataques, a mesma informação continuava disponível.
As baterias Patriot instaladas em bases como Al Dhafra abateram parte dos mísseis e drones lançados contra o Bahrein e os Emirados. Outros atravessaram as defesas. Passadas poucas semanas, algumas bases tinham sido atingidas diretamente; noutras, as pistas ficaram inutilizáveis ou os radares foram postos fora de serviço, limitando a utilização militar das instalações.

O regime iraniano não foi removido por esta guerra. Sobreviveu com uma estratégia que vinha a desenvolver desde que perdeu acesso à tecnologia militar ocidental: drones e mísseis baratos, capazes de saturar defesas construídas para intercetar ameaças muito mais caras, e uma rede de aliados não estatais que continua a encontrar espaço onde décadas de guerras na região deixaram vácuos de autoridade. Esse conjunto deu a Teerão margem para concentrar os ataques em determinados alvos, em vez de distribuir indiscriminadamente o fogo por toda a região.
O fecho de Ormuz, com os petroleiros parados desde agosto, é a consequência mais visível da guerra para quem a observa de fora. No Bahrein e nos Emirados, a experiência foi diferente. O compromisso público com Washington, apresentado durante anos como uma garantia adicional de segurança, tornou também mais identificáveis os países e as instalações associados a essa presença americana quando começaram as retaliações.
O Bahrein e os Emirados avaliam agora o custo de reparar ou reconstruir algumas dessas bases. Os restantes Estados do Golfo continuam sem qualquer tratado equivalente com Washington e não sofreram, até agora, danos da mesma dimensão nas instalações que estiveram no centro dos ataques.
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