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Lindsey Graham, Trump e a explicação que ficou incompleta
Lindsey Graham: de inimigo a maior aliado de Trump
Lindsey Graham morreu no sábado à noite, aos 71 anos, de uma dissecção da aorta associada a doença cardiovascular, horas depois de aterrar de uma viagem à Ucrânia — a última de muitas que fez ao país desde a invasão russa de 2022. Tinha acabado de vencer, no mês passado, a primária republicana para um quinto mandato no Senado. Vai ser lembrado, sobretudo, pela sua transformação: de crítico feroz de Donald Trump a um dos seus aliados mais leais. Há uma entrevista de 2019 que ajuda a perceber essa mudança — embora, como se vai ver, não a explique por completo.
Em 2015, numa entrevista à CNN, Graham não tinha dúvidas sobre quem era Donald Trump: chamou-lhe demagogo, xenófobo, fanático religioso movido por discurso racial. «Sabem como se torna a América grande outra vez?», perguntou nessa entrevista. «Digam a Donald Trump para ir para o inferno.»
Onze anos depois, em junho passado, ao celebrar a vitória na primária da Carolina do Sul, Graham brincou sobre o mesmo homem: «Senhor Presidente, o senhor não está muito atrás de Deus.»
Entre um extremo e o outro, há uma entrevista de 2019, dada a Mark Leibovich, da revista do New York Times, onde Graham tentou explicar a aproximação. Disse que procurava continuar relevante — e acrescentou, na mesma resposta, que via nisso a possibilidade de «conseguir resultados muito bons para o país» ao trabalhar ao lado do presidente.
É uma explicação que se pode ler de duas maneiras, e não devia fingir-se que só uma é possível. Pode ler-se como um cálculo de proximidade, dito sem grande cerimónia. Pode ler-se, com igual justiça, como a lógica ordinária de qualquer legislador que prefere ter assento à mesa a gritar da rua. Graham escolheu a primeira metade da frase para se explicar, e a segunda para se justificar — e não é claro, nem para quem escreve isto, qual das duas pesou mais na sua própria cabeça.
Aceitando a leitura mais desconfortável — a de que a proximidade a Trump foi, no fundo, um investimento em relevância pessoal, mais do que uma aposta em resultados —, vale a pena notar uma coisa: mesmo essa leitura não lhe custou nada em termos de carreira. Se foi cálculo, o sistema teve sete anos para o penalizar, e não penalizou: Graham venceu a reeleição em 2020 por dez pontos, presidiu a duas comissões decisivas do Senado, e há um mês venceu outra vez a primária que o mandaria para um quinto mandato.
Há quem defenda esta trajetória de forma diferente, e o argumento não é fraco: Graham foi, ao longo de décadas, um dos poucos senadores dispostos a negociar fora da sua bancada — integrou o Gang of Eight sobre imigração, o Gang of Fourteen sobre nomeações judiciais, trabalhou com John Kerry em legislação climática quando isso lhe custava apoio vencedor. Um político assim, argumentam os seus defensores, sabe que a irrelevância não serve ninguém — ficar de fora da sala onde as decisões se tomam custa caro a quem representa.
Zelensky chamou-lhe «um verdadeiro defensor da liberdade»; Netanyahu chamou-lhe «amigo querido». As duas declarações pertencem também ao legado que Graham deixa.
Mas há uma diferença entre pragmatismo e a inversão total de um juízo moral explicitamente formulado. Em 2015, Graham não chamou a Trump um simples adversário político com quem discordava em pontos concretos — chamou-lhe fanático que incitava ao ódio racial.
Não sei se Graham vendeu alguma coisa, ou se apenas decidiu, racionalmente, que a proximidade valia mais do que a distância. Sei que a mesma pessoa que fez aquela acusação, em 2015, foi a que brincou, em junho, sobre a sua proximidade a Deus. Entre as duas frases não há prova nenhuma de traição — há, apenas, uma década em que Graham falou muitas vezes sobre a aproximação, em termos de relevância e de resultados, sem alguma vez reconciliar essa explicação com o juízo que fizera em 2015.
Fica-nos uma cadeira que o governador da Carolina do Sul já preencheu por nomeação, entregando-a à irmã do senador, Darline Graham, mais de três décadas no Congresso, e uma entrevista de 2019 que continua por resolver — não por falta de informação, mas porque a pergunta que ela levanta, sobre o que realmente move alguém a mudar de lado, talvez nunca tenha resposta que se possa verificar de fora.
Nota de atribuição: A citação «digam a Donald Trump para ir para o inferno» foi dada por Lindsey Graham numa entrevista à CNN em 2015. A citação «o senhor não está muito atrás de Deus» foi dita num discurso de vitória na primária republicana da Carolina do Sul, em junho de 2026. As citações sobre «continuar relevante» e «conseguir resultados muito bons para o país» foram dadas a Mark Leibovich, da revista do New York Times, em 2019. As declarações de Zelensky e Netanyahu foram publicadas nas respetivas redes sociais após o anúncio da morte. Nenhuma destas declarações foi dada ao Arcana News.
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El perfil sobre Lindsey Graham refleja con lucidez la delgada línea entre el pragmatismo político y la renuncia a los propios principios al analizar su giro desde feroz crítico de Donald Trump hasta convertirse en uno de sus más cercanos aliados. Tras su fallecimiento, ¿prevalecerá en su legado la idea de un legislador pragmático que buscaba mantener su relevancia para influir en las decisiones, o la de un político que sacrificó su juicio moral a cambio de poder?
El artículo no elige entre esas dos lecturas porque esa es su tesis, no un vacío pendiente: Graham nunca reconcilió sus propias frases de 2015 y 2019, y esa falta de reconciliación es el dato, no la pregunta abierta. Lo único verificable es que la proximidad a Trump no le costó nada en su carrera; lo que la motivó pertenece a una zona que, como dice el texto, no se puede comprobar desde fuera.